Impacto da covid-19 provoca restrições a viagens em todos os países do mundo

Análise feita pela Organização Mundial do Turismo mostra que 72% dos destinos fechou completamente as suas fronteiras internacionais.

Veneza
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Comissão Europeia pediu para os Estados-membros prorrogarem até ao dia 15 de Junho “a restrição das viagens não indispensáveis para a U.E.”, em vigor desde 16 de Março. LUSA/Zoltan Balogh

No final de Abril, cerca de quatro meses depois de terem sido relatados os primeiros casos de covid-19, não havia nenhum país do mundo que não tivesse restrições às viagens internacionais, com 72% do total a barrarem a entrada de visitantes estrangeiros (com algumas excepções).

Os dados, divulgados esta segunda-feira pela Organização Mundial do Turismo (OMT), evidenciam os impactos globais provocados pelo novo coronavírus, com o secretário-geral desta organização ligada às Nações Unidas, Zurab Pololikashvili, a afirmar que “o turismo tem sido o sector mais afectado, à medida que os países se foram fechando e as pessoas ficaram em casa”. Os impactos negativos são sentidos em todas as áreas, desde a aviação ao alojamento, passando pela restauração.

“Embora haja discussões sobre eventuais medidas para dar início ao levantamento de barreiras, 100% dos destinos a nível mundial ainda têm restrições” a viagens por parte de turistas internacionais por causa da Covid-19, aponta a OMT.  

Agora, esta organização pede aos governos para “trabalharem em conjunto e coordenar o abrandamento e o levantamento das restrições de uma forma responsável”, e quando tal for seguro. O turismo, destaca Zurab Pololikashvili, é a garantia de sobrevivência de milhões de pessoas, principalmente nos países em desenvolvimento.

De acordo com os dados recolhidos pela OMT, em 40% dos destinos as restrições foram aplicadas “há pelo menos dois meses”. A Europa é a região com mais casos de fronteiras fechadas, com 83% dos destinos vedados ao turismo internacional.

Na passada sexta-feira, a Comissão Europeia instou os Estados-membros que aderiram ao Espaço Schengen, e os países que também se associaram a esta iniciativa de livre circulação na Europa (Islândia, Listenstaine, Noruega e Suíça), a prorrogarem, até ao dia 15 de Junho, “a restrição das viagens não indispensáveis para a U.E.”, em vigor desde 16 de Março.

Além dos 72% dos países com bloqueio completo, há depois outros casos em que são aplicadas medidas como quarentenas ou cujas restrições visam um determinado grupo de países (como foi o caso da estratégia escolhida pelos EUA).

A OMT destaca que esta é a primeira vez na história em que todos os destinos a nível mundial, no total de 217, impuseram restrições às viagens. No dia 11 de Março, quando a Organização Mundial de Saúde declarou a Covid-19 uma pandemia, havia restrições em 85 destinos, número que mais do que duplicou nas duas semanas seguintes.

Na semana passada, a OMT emitiu um outro comunicado onde dava nota de uma queda de 22% no turismo internacional no primeiro trimestre, o que equivale a menos 67 milhões de turistas e uma perda da ordem dos 80 mil milhões de dólares (cerca de 74 mil milhões de euros) em exportações.

De acordo com a estimativa desta organização, a crise provocada pelo novo coronavírus pode levar, em termos homólogos, a uma queda do sector de 60% a 80% este ano.

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