I Know This Much is True: Mark Ruffalo sofre por dois na HBO

A nova trágica minissérie é uma adaptação do livro homónimo de Wally Lamb saído em 1998. É escrita e realizada por Derek Cianfrance, o responsável por filmes como Blue Valentine - Só Tu e Eu.

Mark Ruffalo faz de gémeos na nova minissérie da HBO escrita e realizada por Derek Cianfrance
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Mark Ruffalo faz de gémeos na nova minissérie da HBO escrita e realizada por Derek Cianfrance HBO

I Know This Much is True não é um raio de luz nestes tempos conturbados. A nova minissérie de seis episódios escrita e realizada por Derek Cianfrance chegou esta segunda-feira à HBO Portugal é trágica como tudo. Está cheia de revelações deprimentes escondidas em cada canto, e não tem grande espaço para leveza. Adaptada do romance homónimo de Wally Lamb lançado em 1998, a série centra-se num par de gémeos, um deles a sofrer de esquizofrenia, cuja vida nunca foi fácil.

Os gémeos, Dominick e Thomas Birdsey, são ambos interpretados, na idade adulta, por Mark Ruffalo, que também é produtor executivo. O actor já não fazia televisão desde o telefilme de Ryan Murphy Um Coração Normal, de 2014, e nunca foi muito prolífico neste meio. O duplo papel dele, o de duas pessoas completamente diferentes, é do melhor que tem feito nos últimos anos, talvez o melhor desde o subvalorizado Podes Contar Comigo, de Kenneth Lonergan.

A série, que vai buscar o nome a uma parte da letra de True, dos Spandau Ballet, e tem alguma pop dos anos 1980 na banda sonora — de Everything She Wants dos Wham! a Steppin’ Out de Joe Jackson — arranca em 1990, no Connecticut, mas anda muitas vezes de um lado para o outro, seja só alguns anos para trás e para a frente ou vá até à infância e adolescência dos protagonistas. Numa biblioteca pública, Thomas, o gémeo com esquizofrenia, corta a própria mão enquanto grita sobre deus, num protesto contra a Guerra do Golfo, fazendo com que ele seja preso.

Thomas é o irmão que tem problemas mentais, mas o aparentemente normal Dominick, que ganha a vida a pintar casas, não está muito melhor. A cena marca o início de um desfile de miséria, que envolve segredos familiares, a morte da mãe, revelações sobre o passado, o padrasto abusivo, divórcio. Cianfrance, que filmou a série em película, mostra tudo isto com naturalismo, humanismo e um elenco extraordinário. A direcção de actores é, aliás, a grande mais-valia do realizador.

Mesmo sem contar com Ruffalo, a série tem um elenco impressionante, de Melissa Leo, que faz de mãe dos gémeos, a Juliette Lewis, que Dominick contrata para traduzir as memórias do avô deles de italiano para inglês, passando por Archie Panjabi, de The Good Wife, como terapeuta, além de Rosie O'Donnell, Kathryn Hahn ou Imogen Poots. Há também o cómico Rob Huebel, que, no papel de um vendedor de carros aspirante a actor, dá algum alívio cómico à série, que muito precisa dele. Huebel, que tem feito alguns dramas nos últimos anos, não é propriamente um actor dramático talentoso, mas aqui é a prova viva de que Derek Cianfrance sabe o que faz. Por muito desolador que seja.

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