Covid-19: OMT receia diminuição de 60% a 80% no turismo internacional

O sector perdeu 74 mil milhões de euros durante o primeiro trimestre, naquela que “é, de longe, a pior crise que o turismo internacional enfrentou desde que há registos” em 70 anos.

Sem turistas, a paralisaçao de algumas actividades é total
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Sem turistas, a paralisaçao de algumas actividades é total daniel rocha

O número de turistas internacionais poderá diminuir de 60% a 80% em 2020 devido à pandemia de covid-19, avisou esta quinta-feira a Organização Mundial do Turismo (OMT), que no final de Março estimava uma queda de “apenas” 20% a 30%.

“O mundo enfrenta uma crise sanitária e económica sem precedentes. O turismo foi duramente atingido e milhões de postos de trabalho estão em risco num dos sectores da economia que mais mão-de-obra emprega”, afirmou Zurab Pololikashvili, secretário-geral desta organização não-governamental das Nações Unidas, com sede em Madrid.

As chegadas de turistas já diminuíram 22% no primeiro trimestre do ano e, em Março, registou-se uma queda “abrupta” de 57%, depois do início da contenção em muitos países, segundo a OMT.

A nível mundial, o sector perdeu 80 mil milhões de dólares (74 mil milhões de euros) durante os três primeiros meses do ano, considerando a organização que esta “é, de longe, a pior crise que o turismo internacional enfrentou desde que há registos (1950)”.

“O impacto será sentido em diferentes graus nas várias regiões do mundo com momentos de sobreposição, esperando-se que a Ásia e o Pacífico comecem a recuperar antes”, admite a organização.

As previsões baseiam-se em três cenários de saída da crise: reabertura das fronteiras e supressão das restrições de viagem no início de Julho (descida de 58% nas chegadas), no início de Setembro (-70%) e no início de Dezembro (-78%).

Por outro lado, a OMT estima que 100 a 120 milhões de empregos directos no sector estão ameaçados e apenas espera ter “sinais de recuperação no último trimestre de 2020, mas sobretudo em 2021”, com uma retoma da procura interna mais rápida do que a da procura internacional.

“As viagens de lazer, especialmente para visitar amigos e familiares, devem recuperar mais rapidamente do que as viagens de negócios”, diz o estudo.

As perspectivas mais positivas são para África e o Médio Oriente, “com a maioria dos peritos a prever uma recuperação em 2020”, enquanto as Américas são as mais pessimistas, com uma recuperação considerada difícil em 2020.

Para a Europa e a Ásia, “as perspectivas são mistas, com metade dos peritos a preverem uma recuperação no decurso deste ano”.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 260 mil mortos e infectou cerca de 3,7 milhões de pessoas em 195 países e territórios.

Face a uma diminuição de novos doentes em cuidados intensivos e de contágios, alguns países começaram a desenvolver planos de redução do confinamento e em alguns casos a aliviar diversas medidas.

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