Covid-19: praias pequenas poderão estar fechadas neste Verão

O secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro revela nesta quarta-feira ao PÚBLICO que haverá regras distintas para praias pequenas e grandes.

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A Agência Portuguesa do Ambiente está a preparar tudo para que a época balnear arranque a 1 de Junho Nuno Ferreira Santos

O Governo estuda a hipótese de fechar as praias pequenas neste Verão para impedir a aglomeração de pessoas.

“Em princípio, haverá regras distintas para praias pequenas e grandes, porque obviamente é muito diferente uma praia com um longo areal – onde as pessoas se podem espalhar e onde não há aglomerações – de uma praia pequena, onde é muito mais difícil evitar essa aglomeração. Eventualmente poderá haver algumas praias onde, não sendo possível fazer este controlo, poderá ter de haver algum fecho”, disse o secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Tiago Antunes, em entrevista ao PÚBLICO e à Renascença, nesta quarta-feira.

O governante diz, porém, que “isso não está neste momento ainda determinado. Há várias hipóteses em cima da mesa, e essa é uma delas”.

A hipótese já tinha sido avançada pelo PÚBLICO a 22 de Abril. A época balnear está a ser programada para arrancar este ano a 1 de Junho, mas não é líquido que todas as praias estejam abertas nessa data. Como o PÚBLICO avançou então, algumas podem começar condicionadas, outras permanecerem encerradas por mais algum tempo e algumas nem abrirem este ano.

Em entrevista ao PÚBLICO e à Renascença, Tiago Antunes admite que este é um tema “difícil” dentro do desconfinamento em curso. E explica porquê: “As praias não têm uma porta pela qual se possa decidir quem entra ou não entra. Estamos a trabalhar num conjunto de regras em conjugação com as autarquias e as capitanias, que permitam, desejavelmente a todos, neste Verão fruir das praias de forma necessariamente diferente do que é habitual.” Uma coisa é certa: “Seguramente teremos mais distanciamento social.”

Está a ser preparado um manual de conduta para os utilizadores e concessionários das praias. O documento vai definir regras sobre a forma como as orientações da DGS vão ser aplicadas no espaço balnear. 

O acesso às zonas balneares será limitado, tendo em consideração a capacidade de carga de cada praia (área de concessão e tamanho do areal ou solário) e a distância entre zonas de sombreamento (pelo menos dois metros quadrados). Será obrigatório o uso de máscaras nos bares e restaurantes de apoio.

“Vai ser necessário estabelecer regras para a entrada e saída, começando já nas zonas de estacionamento”, revelou a 22 de Abril ao PÚBLICO a coordenadora do programa Bandeira Azul da Associação Bandeira Azul da Europa, Catarina Gonçalves, indicando que as preocupações de higiene (desde as instalações sanitárias até aos passadiços) vão estar plasmadas no manual de conduta.

Segundo Catarina Gonçalves, deverão ser impostas restrições aos estabelecimentos de restauração e bebidas que funcionam nas praias. Poderá ser determinado o distanciamento social nas esplanadas, ou desincentivado esse consumo, optando-se pelo serviço de take-away.

A Agência Portuguesa do Ambiente está a preparar tudo para que a época balnear arranque a 1 de Junho, mas está consciente de que esta projecção de aparente normalidade pode colidir com a evolução da pandemia. Por isso, o calendário geral e o funcionamento específico de cada zona estarão sempre condicionados pelas orientações da DGS.

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