Opinião

A Europa das Marie Curie e dos Erasmus

Num momento em que muitos líderes mundiais responsabilizam e culpabilizam o Outro pelos enormes desafios que enfrentamos, é imperativo que estes programas de intercâmbio sejam alargados e reforçados.

Entre os nomes que enriqueceram e alargaram o conhecimento, Marie Curie e Erasmus estarão certamente entre os que mais contribuíram para a projeção da Europa no mundo.

Como a primeira, e única mulher que recebeu dois prémios Nobel em ciência, Marie Curie tem inspirado gerações sucessivas de mulheres (e homens) a seguirem carreiras científicas nas mais variadas áreas. Como filósofo e pensador, Erasmus de Roterdão, como é conhecido, foi uma das figuras marcantes duma Renascença, que nos orgulha e enche de gratidão pelo que dela herdamos.

Em boa hora estes dois nomes foram atribuídos a projetos europeus altamente inovadores. Os atuais programas Erasmus+ e as Ações Marie Curie continuam a ser reconhecidos como histórias do maior sucesso na construção Europeia, a curto, médio e longo prazo. Os milhões de jovens do ensino secundário e superior, que deles beneficiaram, são unânimes ao confirmarem o extraordinário impacto que tiveram para as suas vidas e carreiras profissionais. A simples ideia de poderem conviver e conhecer outras culturas e de estudar em contextos diferentes dos que lhes são familiares abriu cabeças e deu-lhes mundo! Estimulou a curiosidade e a imaginação, essenciais quando queremos inovar.

A pandemia que enfrentamos continua recheada de incógnitas e seremos ainda confrontados com muitas surpresas. Mas mostrou que juntar esforços é fundamental para compreendermos os riscos, contextualizá-los e ter a capacidade de os comunicar de forma clara e simples. A colaboração entre investigadores, a partilha de informação e as diferentes formas de imaginar o futuro sempre foram, e continuarão a ser, a melhor forma de fazer avançar o conhecimento. Talvez mais do que em qualquer outro momento, tudo o que possamos fazer para enriquecer este processo é essencial.

Num momento em que muitos líderes mundiais, de forma imprudente e ignorante, responsabilizam e culpabilizam o Outro pelos enormes desafios que enfrentamos, é imperativo que estes programas de intercâmbio, de mobilidade e de colaboração sejam alargados e reforçados. Não nos deve surpreender que o Parlamento Europeu pense exatamente o mesmo. E gostaria de acreditar que todos os responsáveis pela investigação, ensino e cultura, nos mais variados domínios do conhecimento, se sintam solidários a este respeito.

A atual pandemia tem mostrado que, apesar de, ou talvez mesmo por estarmos afastados fisicamente, a empatia e as mensagens de solidariedade crescem de dia para dia. É mais do que evidente que a Europa e o mundo precisam de projetos que aproximem as pessoas. Precisamente porque são os financiamentos destes instrumentos que estão em discussão, a mensagem a transmitir, em voz bem alta e sonante, é clara: hoje, mais do que nunca, as Marie Curie e os Erasmus+, porque são cruciais para que a Europa continue a ser inspiradora e criativa, merecem ser muito amplamente reforçados.

O autor escreve segundo o novo Acordo Ortográfico

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