Sai o estado de emergência, chegam as manifestações

Já foi convocada a primeira manifestação no pós-estado de emergência, marcada para 6 de Junho. Deverá ocorrer em Lisboa, sob a garantia de cumprimento dos pressupostos sanitários.

Foto
O fim do estado de emergência poderá espoletar mais manifestações no país LUSA/PEDRO SARMENTO COSTA

Está oficialmente reaberta a “época das manifestações”. Sob o mote “resgatar o futuro, não os lucros”, movimentos sociais de combate à precariedade, direito à habitação, feministas e justiça climática convocaram para 6 de Junho a primeira manifestação que se conhece, para já, nas horas iniciais do pós-estado de emergência. “Não pensámos nisso. Não estamos em luta para ser os primeiros”, garante ao PÚBLICO Diogo Silva, da organização “resgatar o futuro”.

Numa fase em que o desconfinamento é feito de forma faseada e parcial – e tal poderá verificar-se ainda a 6 de Junho –, o movimento garante que nenhum pressuposto sanitário será descurado nesta iniciativa.

“No próximo dia 6 de Junho, sairemos das nossas casas em manifestação pública, observando os cuidados necessários para protegermos os/as outros/as e para nos protegermos”, pode ler-se, no manifesto divulgado nesta segunda-feira.

Ainda sem local definido

Diogo Silva assume ao PÚBLICO que “o local ainda não está decidido” – e que não há previsão de quando será definido –, mas avança que a manifestação “está planeada para Lisboa”.

Cinco associações subscrevem esta iniciativa, ainda que os responsáveis garantam estar “à espera que outros colectivos se juntem”. Com apenas cinco associações envolvidas, no pior cenário, ou com mais do que estas, como esperará a organização, o plano está, porém, bem definido. Tal como as motivações.

Segundo o manifesto, apela-se a “um programa massivo de empregos públicos para salvar pessoas e clima”, com base num “contexto de desemprego e falta generalizada de rendimento, em particular nas camadas mais afectadas pela crise do Covid19”.

Mas vão mais longe no apelo, pretendendo que o país combata o aumento “da LGBTQfobia, a xenofobia e o sexismo” e um regresso ao “business as usual do capitalismo”.

“Não podem continuar a ser tomadas decisões essenciais para o nosso futuro colectivo sem participação popular – a política e a democracia não foram postas na gaveta (...) sairemos [à rua], porque há milhões de pessoas que nunca pararam de sair, com enorme risco pessoal e familiar, e não deixaremos que estas pessoas voltem a ser postas atrás de uma cortina de desprezo e desvalorização”, pode ler-se ainda.

Terminar com os despejos

O movimento fala, também, da luta por “planos reais para milhões de pessoas, com a criação de apoios de emergência em áreas base como a saúde, a educação, a alimentação, a energia, a água, a habitação e as discriminações”.

Num prisma mais concreto, pedem apoio à protecção e reforço do SNS e dos seus profissionais, garantia de alimentação para todos os cidadãos, terminar com os despejos, promover acesso universal aos meios digitais e encontrar mecanismos de acesso a energia e água para todas as famílias.

O manifesto deixa implícito que o Governo português está aquém do necessário em matéria de apoios sociais e económicos, falando de “um momento em que os Estados por todo o mundo estão a intervir directamente na economia”.