Dissidente que pôs a circular notícias sobre saúde de Kim pediu desculpa

Thae Yong Ho, que era o embaixador norte-coreano no Reino Unido, foi eleito no mês passado deputado do parlamento da Coreia do Sul.

,Pyongyang
Foto
Kim Jong-un na fábrica de fertilizante que inaugurou Reuters

Um antigo diplomata norte-coreano, responsável por um site de informação sobre o país, pediu nesta segunda-feira desculpa por ter escrito que o líder Kim Jong-un estava doente e em estado vegetativo. O pedido surge dias depois de a televisão norte-coreana ter divulgado imagens de Kim a inaugurar uma fábrica. 

Kim esteve desaparecido dos olhares públicos durante várias semanas, fazendo surgir especulações sobre o seu estado de saúde e sobre o seu paradeiro, tendo aberto a discussão nos media internacionais sobre a sua sucessão. Porém, no sábado, a Coreia do Norte publicou fotografias do líder numa cerimónia, a cortar a fita de inauguração de uma fábrica de fertilizantes.

O seu aparecimento foi um golpe na credibilidade de alguns dos mais conhecidos dissidentes, que fugiram para a Coreia do Sul e que divulgaram que Kim podia estar morto.

Um desses dissidentes, Thae Yong Ho, era o embaixador norte-coreano no Reino Unido, onde geria fundos secretos de Kim. Thae fugiu para a Coreia do Sul em 2016 e foi um dos dissidentes eleitos para o parlamento de Seul no mês passado. 

“Sei que foi com a expectativa de eu fazer análises verdadeiras e projecções sobre assuntos da Coreia do Norte que muitos de vocês votaram em mim”, disse Thae num depoimento. “Sinto-me culpado e com grande responsabilidade [pelo que se passou]”. “Peço desculpa a todos”, acrescentou.

O outro dissidente eleito para o parlamento, Ji Seong-ho, disse em entrevistas que tinha 99% de certeza de que Kim morrera de uma operação ao coração e que o anúncio oficial seria feito no sábado passado.

Ji, que foi convidado para assistir ao discurso sobre o estado da união por Donald Trump em 2018, não esteve contactável nesta segunda-feira. Mas na sexta-feira disse à Reuters que sabia da morte de Kim por uma fonte cuja identidade não podia revelar.

O Partido Democrático, no poder na Coreia do Sul, criticou os dois dissidentes por uma irresponsabilidade que considerou poder fazer mais danos além de enganar a opinião pública. Um membro do partido disse que os dois deviam ser excluídos dos comités parlamentares de Defesa e dos Serviços Secretos. 

Sugerir correcção