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Entrevista

Abraham Poincheval e a arte do confinamento

Fechado uma semana dentro de um buraco de 60 centímetros ou isolado durante 13 dias no interior da barriga de um urso empalhado. Há quase uma década que Abraham Poincheval se dedica ao confinamento como obra de arte. Uma experiência de evasão e transcendência, segundo o artista francês, com os seus riscos e as suas vantagens em tempos de reclusão profiláctica.

Das galerias e salas de museus para a sua sala de estar em Marselha, Abraham Poincheval reconhece que a experiência que vivem actualmente as sociedades em todo o mundo poderia mudar a percepção do público sobre a sua própria carreira artística invulgar. Claustrófilo profissional, como se apresenta, o artista de 47 anos é um reconhecido “mestre do confinamento”. Antigo assistente da célebre artista sérvia Marina Abramovic, fã incondicional dos grandes aventureiros solitários como o cosmonauta Iuri Gagarin ou os ermitas da Antiguidade, o artista reconhece ter levado aos limites mais extremos a ideia de isolamento, de um buraco escavado no solo de uma galeria de Marselha onde permaneceu imóvel durante uma semana aos 21 dias que passou sentado a incubar uma dezena de ovos no interior do Palais de Tokyo, o centro de arte contemporânea de Paris.