Fiel aos seus princípios, o râguebi manteve-se conservador

O inglês Bill Beaumont, de 68 anos, foi reeleito presidente da World Rugby, derrotando Agustín Pichot, o capitão da selecção da Argentina no Mundial 2007.

Pichot, durante o Mundial de 2007
Foto
Pichot, durante o Mundial de 2007 Reuters

O anúncio estava marcado apenas para 12 de Maio, quando a World Rugby realizar a sua reunião anual, mas, como era expectável, o organismo que tutela o râguebi mundial não conseguiu guardar durante quase duas semanas segredo sobre quem seria o seu novo presidente – as eleições terminaram na passada quinta-feira. Com o râguebi divido em dois (as potências do Hemisfério Norte contra as do Sul), a modalidade foi fiel aos seus princípios, e manteve-se conservadora: o inglês Bill Beaumont, de 68 anos, foi reeleito presidente da World Rugby com 28 votos, derrotando Agustín Pichot, o capitão da selecção da Argentina no Mundial 2007, que recebeu 23.

No seu programa, Agustín Pichot, que foi um dos mais carismáticos jogadores da selecção argentina, anunciava transformações profundas na estrutura do râguebi, defendendo uma maior influência para as federações fora do “Tier 1”, o primeiro nível da modalidade da qual fazem parte os países que competem no Torneio das Seis Nações (Inglaterra, Escócia, Irlanda, País de Gales, França e Itália) e as quatro que disputam o Rugby Championship (Nova Zelândia, Austrália, África do Sul e Argentina).

“O sistema não confia na World Rugby, essa é a uma realidade. É altura de trabalhar num calendário global, que demonstre a nossa intenção estratégica de atrair investimento global. É tempo de mudar e centrar a atenção, o amor e a dedicação em todas as federações de forma igual”, defendeu o antigo médio de formação, quando anunciou a sua candidatura.

Porém, as ideias do anterior vice-presidente de Beaumont na World Rugby, que defendia também o alargamento do Mundial de 20 para 24 selecções e uma nova prova que permitisse mais competição para as selecções do “Tier 2”, ideia que não agrada às grandes potências, esbarraram num sistema de eleição completamente dominado pelas federações mais poderosas.

Ao contrário do que acontece, por exemplo, na eleição para presidente da FIFA, onde todas as federações nacionais têm a mesma influência, na eleição para líder da World Rugby há 51 votos, mas os dez países do “Tier 1” têm, no total, 58% do peso final da votação (três votos para cada federação). Para além dos países que competem no Seis Nações e Championship, só Japão, dois votos, e Geórgia, Roménia, Fiji, Samoa, Canada, Estados Unidos e Uruguai, todos com um voto, têm uma palavra activa na escolha final. Os restantes 12 votos, são distribuídos de forma igual pelas seis federações continentais (Europa, Oceânia, África, Asia, América do Norte e América do Sul).

Assim, com a decisão na mão de uma pequena fracção das mais de 100 federações que compõe a Word Rugby, a escolha quase que se resumiu a uma luta entre os todo-poderosos do Hemisfério Norte contra os do Sul. Com o apoio de quase todos os países europeus – a Geórgia pode ter sido a excepção - e da Rugby Europe, o inglês terá contado igualmente com o apoio do Japão, Fiji, Estados Unidos e América do Norte.

Com mais quatro anos de mandato pela frente, Beaumont reagiu à sua reeleição, afirmando que “não é hora de comemorar”: “Temos trabalho a fazer. Estamos a defrontar a covid-19 e precisamos implementar uma estratégia de regresso do râguebi que priorize o bem-estar dos jogadores, optimizando ao mesmo tempo qualquer oportunidade de voltar a ter competições de râguebi internacional este ano.”

Sugerir correcção