Craveiral manteve todos os trabalhadores para “dar um murro na mesa”: “calma, vamos ultrapassar”. Até a CNN aplaudiu

O Craveiral anda nas bocas do mundo tanto pela decisão laboral como por a CNN ter apontado os seus holofotes a este exemplo português. Foram mantidos os 22 trabalhadores da equipa, agora noutras funções e com redução de horário, diz-nos o director do turismo rural alentejano. E já têm reservas para Maio e para o Verão.

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Detalhes de imagens divulgadas pelo Craveiral nas suas redes sociais DR

Quatro famílias que estavam alojadas na unidade de turismo rural quando foi decretado o estado de emergência decidiram ficar e uma delas, um casal de jornalistas belgas, foi até a ponte para o destaque na cadeia televisiva CNN, ao decidir “por iniciativa própria” enviar um e-mail para o programa Quest Means Business, conta Pedro Franca Pinto à Fugas. “Foi por sorte e acaso.”

O fundador e director-executivo do Craveiral Farmhouse acabaria por ser entrevistado pelo jornalista britânico Richard Quest na rubrica Voices of the Crisis (vozes da crise), do programa, destacado pela “missão nobre” de manter todos os postos de trabalho apesar da falta de hóspedes e de reservas. De acordo com um inquérito realizado pela Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), publicado no início de Abril, cerca de 75% das empresas associadas estavam encerradas.

“Considerámos que uma forma de combater também o medo e a pandemia era continuarmos abertos”, diz Pedro Franca Pinto à Fugas. Sem clientes, os 22 trabalhadores dedicam-se agora a outras actividades, como a componente agrícola do projecto, os trabalhos de manutenção e melhoramento de infra-estruturas e a entrega ao domicílio das refeições confeccionadas no restaurante.

A decisão, conta o responsável, passa pela vontade de manter-se em concordância com “a missão e os princípios” do Craveiral Farmhouse, que incluem a integração na comunidade, a sustentabilidade e o bem-estar de “colaboradores, hóspedes e fornecedores”, e “numa lógica de valorização do projecto”, menos preocupada com “a perda no imediato” e “mais a pensar no futuro”.

“Veio muito da vontade de tentar marcar um bocadinho a diferença e não ser negativo, porque há tantas más notícias que acho que isto é um bocadinho como dar um murro na mesa e dizer ‘calma, vamos ultrapassar' e pôr as coisas em perspectiva.”

O Craveiral Farmhouse, um projecto de turismo rural composto por 38 casas situado junto a São Teotónio (concelho de Odemira), abriu oficialmente portas em 2018, depois de oito anos de idealização e obras. “Isto é um projecto de vida, um projecto emocional, dois meses não são nada”, reage. “A perspectiva é muito importante e algum espírito optimista também.”

Para além da manutenção de todos os postos de trabalho (apesar de uma redução de horário para seis horas diárias em Abril), o empreendimento turístico colocou ao dispor as unidades de alojamento para cuidados profilácticos, quarentenas obrigatórias e hospitalização domiciliária, além da doação de 1€ por cada pizza vendida à Associação Vila ComVida, que promove a integração de pessoas com perturbações ligeiras de desenvolvimento cognitivo no mercado de trabalho, uma das parceiras no restaurante Craveiral Pizzeria ComVida by In Bocca al Lupo.

A partir de Maio, revela Pedro Franca Pinto, o horário de trabalho volta às habituais oito horas por dia e já existem reservas de hóspedes para a próxima semana, assim como reservas para Julho e Agosto “que não foram canceladas”. “O facto de termos continuado abertos, ainda que com as pessoas a fazerem outras actividades, permite-nos estar em condições de retomar a actividade normal mal haja levantamento das limitações à mobilidade das pessoas”, avança. “Já temos dias em que temos as 22 casas ocupadas.”

A redução de 38 para 22 casas disponíveis a reservas é uma das medidas preventivas avançadas pelo Craveiral Farmhouse. Contam-se ainda o serviço de pequenos-almoços entregues directamente em cada alojamento, serviços de check-in e check-out “por telecomunicação ou meios electrónicos” e funcionamento das “três zonas de piscina” e da “zona de bem-estar, com sauna, banho turco, ginásio e piscina interior, com quatro períodos de limpeza por dia”, lê-se na página de Facebook.

As perspectivas de volume de negócios para este ano caíram, no entanto, para “cerca de 50%”, admite Pedro Franca Pinto, ainda que mantenha “algum optimismo”. “As pessoas vão continuar a passar férias e os portugueses que não vão para o estrangeiro vão passar férias no país.” Antecipa que não “vai ser assim para todos” os alojamentos turísticos nacionais, mas acredita que “nas zonas com menos população vai haver bastante procura do mercado nacional, e de algum mercado espanhol e do Norte da Europa, existindo voos e abertura de fronteiras.”