Covid-19: Câmara de Lisboa está a estudar distribuição de máscaras reutilizáveis

Autarquia rejeita uso massivo de máscaras descartáveis pela população e estuda alternativa para quem andar de transportes públicos. Câmara de Lisboa dispõe, no momento, de cerca de um 1,6 milhões de máscaras cirúrgicas.

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Daniel Rocha

A Câmara de Lisboa está a estudar a distribuição de máscaras reutilizáveis para os utentes de transporte público. A informação foi adiantada esta quinta-feira pelo presidente da câmara, Fernando Medina, durante a reunião pública do executivo municipal. 

O autarca respondia a uma questão do vereador do PSD, João Pedro Costa, sobre qual seria a estratégia da autarquia em dotar a população de equipamentos de protecção individual neste progressivo regresso à normalidade. 

Na resposta, Medina adiantou que a autarquia está a estudar a distribuição de máscaras reutilizáveis para quem anda de transporte público e tem “necessidade do ponto de vista social”. 

Fora dos planos da câmara, ao contrário de outras autarquias, está a distribuição massiva de máscaras descartáveis para conter a propagação do novo coronavírus. Segundo o autarca, a Câmara de Lisboa dispõe, no momento, de cerca de 1,6 milhões de máscaras cirúrgicas, que estão a ser distribuídas por instituições, bombeiros e serviços da autarquia que contactam directamente com a população. 

A serem compridas todas as recomendações de segurança, de que uma máscara descartável não deve ser ininterruptamente usada por mais de quatro horas, e tendo em conta o número de habitantes da cidade de Lisboa, o stock “daria para um dia”, notou Fernando Medina. E concretizou: “A distribuição massiva de máscaras não reutilizáveis não é compatível com a manutenção de stocks.

A partir de segunda-feira, os transportes públicos passarão a circular com a lotação máxima de dois terços da sua capacidade e os utentes terão de obrigatoriamente de usar máscara, segundo anunciou o Governo na tarde desta quinta-feira.

A esse respeito, o autarca da capital disse ainda que estão a ser estudadas soluções para colocar dispensadores de gel desinfectante dentro dos autocarros da Carris.

“A grande chave do regresso em segurança ao transporte público vai depender do que se consegue relativamente ao desfasamento de horários”, disse Fernando Medina, adiantando que os números “pré-crise” da pandemia de covid-19 indicavam que os autocarros da Carris tinham uma taxa de ocupação média de 20% — 100% nas horas de ponta até valores inferiores a 10% noutros horários. 

Na reunião do executivo, foi também aprovada por maioria uma moção apresentada pelo PSD que recomenda a promoção de “boas práticas no uso das máscaras de protecção, através da ampla divulgação das normas de correcta utilização” e exorta a autarquia a “assegurar a existência de stocks para os trabalhadores de primeira linha no combate à covid-19” e a “tomar as diligências necessárias para assegurar aos cidadãos o acesso a máscaras de protecção em rede de proximidade”.

O ponto da moção que recomendava “o uso generalizado de máscaras de protecção nas situações de interacção social pelos lisboetas e por quem trabalha e visita Lisboa” foi rejeitado, com votos contra do PS, do PCP e do BE, o que motivou o vereador do PSD João Pedro Costa a classificar a posição do presidente da câmara como “incompreensível”. com Lusa