Governo quer autocarros a reforçar oferta ferroviária na linha de Sintra

Para se poder manter a distância de segurança entre passageiros nos comboios, e perante a falta de comboios da CP, deverão ser alugados 100 autocarros para ligar Sintra ao Colégio Militar.

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Sergio Azenha (colaborador)

A exigência de distanciamento social entre os passageiros dos transportes públicos obriga a que os comboios só possam circular a um terço da sua capacidade, uma medida especialmente difícil de cumprir nas horas de ponta em que os suburbanos costumam ficar sobrelotados.

A situação é especialmente grave na linha de Sintra – uma das linhas mais sobrecarregadas da Europa – para onde o Governo pretende contratar 100 autocarros para fazer desdobramento aos comboios da CP.

Nos autocarros, contudo, também há limitações ao número de passageiros transportados, pelo que só poderão circular 15 a 20 pessoas em cada veículo.

Os comboios da linha de Sintra têm capacidade para 1264 lugares sentados e, mesmo que só possam acomodar um terço dos passageiros, podem transportar 420 pessoas, ou seja, tanto como 20 autocarros.

A decisão por uma medida tão nociva do ponto de vista ambiental – serão mais 100 autocarros a circular no IC-19 em várias viagens por dia – é justificada pela incapacidade da CP em aumentar a oferta na hora de ponta.

O PÚBLICO apurou que até existem canais horários disponíveis pois a linha de Sintra está quadruplicada entre Lisboa e o Cacém. Tecnicamente seria possível injectar mais quatro comboios por hora entre Sintra e Lisboa, mas o problema é a falta de material circulante da CP que, nas horas de ponta, tem praticamente toda a sua frota de suburbanos ao serviço.

As UQE (Unidades Quádruplas Eléctricas) afectas às linhas de Sintra e Azambuja já circulam em dupla, ou seja, com duas automotoras acopladas, não havendo possibilidade de acrescentar mais carruagens porque não caberiam nas plataformas das estações.

O PÚBLICO perguntou ao Ministério das Infraestruturas e à CP quem pagaria o aluguer dos autocarros, como seria feita a escolha do operador rodoviário e quem iria pagar a factura. O ministério de Pedro Nuno Santos remeteu quaisquer esclarecimentos para as resoluções do Conselho de Ministros desta quinta-feira e a CP não respondeu.