Não existem máscaras certificadas que resistam a máximos de 15 lavagens

Existem empresas a alegar que as suas máscaras mantêm as suas propriedades mesmo depois das 50 lavagens, algo que o Centro Tecnológico das Indústrias do Têxtil e do Vestuário diz não ser possível. Ao todo, o Citeve diz que já aprovou 71 máscaras comunitárias fabricadas por empresas portuguesas.

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LUSA/NUNO ANDRÉ FERREIRA

O Centro Tecnológico das Indústrias do Têxtil e do Vestuário (Citeve) — que está autorizado pela Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed) e pela Direcção-Geral da Saúde (DGS) a certificar máscaras antes de estas serem comercializadas — afirma que ainda não deu “luz verde” a nenhum produto que mantenha as suas propriedades protectoras acima das 15 lavagens.

O Citeve tem vindo a disponibilizar e a actualizar uma lista de empresas portuguesas de têxtil que produzem máscaras testadas e validadas, nomeadamente máscaras de uso comunitário que, quando as medidas de confinamento forem levantadas, a população deve usar em espaços fechados​, como por exemplo nos transportes públicos, farmácias e supermercados. 

“Neste momento é impossível certificar uma máscara para durar 50 lavagens, uma vez que esse processo pode levar mais do que dez dias úteis e as especificações das autoridades de saúde foram emitidas há pouco mais de duas semanas”, explica ao PÚBLICO o director-geral do Citeve, António Braz Costa, que avança que existem empresas a alegar que os seus produtos mantêm a eficácia durante 50 lavagens, algo que o Citeve diz não poder garantir.

“Nós avaliámos a máscara, lavamo-la cinco vezes, voltamos a avaliar e concluímos que pode ser utilizada até cinco lavagens. Mas imagine que a empresa diz que as cores resistem a cem lavagens, tem todo o direito de o dizer, mas isso não significa que a empresa está a dizer que a máscara resiste a 100 lavagens na sua função de filtração e respirabilidade" explica o responsável, acrescentando que estes são os dois factores mais importantes. 

De acordo com António Braz Costa, o selo do Citeve é uma forma “simples” de o consumidor identificar os produtos que são certificados pela entidade e transmite duas informações: para quantas lavagens está a máscara certificada e se é para o uso geral ou de profissionais com grande contacto com o público. “Na minha opinião, dizer eficácia antimicrobiana pode levar os consumidores a pensar que a máscara funciona como máscara durante 50 lavagens, mas não foi isso que o Citeve certificou porque não temos a certeza disso”, diz o director-geral da entidade, sublinhando que não foi emitido, até agora, nenhum certificado para mais de 15 lavagens e que as leituras que se podem fazer de algumas informações “podem ser erradas”.

António Braz Costa garante que, juntamente com a lista das empresas que produzem máscaras com o selo de aprovação do Citeve, e que está disponível da página daquela entidade, também será disponibilizada a informação do número de vezes que cada máscara pode ser lavada até perder as suas propriedades de protecção.

O responsável diz ainda que apesar das diferentes características das máscaras já certificadas (desde cores, tipo de elásticos, materiais utilizados e preços), todas as que constam da lista do Citeve cumprem os critérios técnicos que foram impostos pela DGS, que recomenda o uso pela população em geral de máscaras “sociais” em locais fechados após o desconfinamento.

Mais de 70 máscaras certificadas

Sobre o número total de máscaras comunitárias já certificadas e aprovadas pelo Citeve, António Braz Costa avança que até à madrugada desta quarta-feira eram 71 — mas que dezenas estão ainda a ser analisadas. "Numa fase inicial as tentativas que não tinham resultado eram muitas e as empresas tiveram que ganhar experiência e conhecimento logístico, mas neste momento a taxa de aprovação é maior. Isto significa que nos próximos dias a quantidade de máscaras aprovadas vai aumentar muito”, refere, garantindo ainda que há duas empresas que estão já a testar máscaras que possam ser lavadas mais do que 15 vezes.

Como já tinha explicado ao PÚBLICO o director-geral do centro tecnológico, as máscaras “têm de proteger quem as utiliza e as pessoas que estão à volta”. Devem ainda “ter capacidade de retenção de partículas” e também “permitir conforto respiratório”. Neste sentido, o Citeve criou o selo “Máscaras COVID-19 - Aprovado” para ajudar os consumidores e produtores a distinguir os produtos e matérias-primas que foram testados e validos pelo centro.

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