Olhares dos quatros cantos do mundo

Sinto saudades de observar” (Mahmoud, fotógrafo, Irão)

A Fugas colocou quatro perguntas numa garrafa e lançou-as ao mar do Instagram. A pandemia cortou-nos as asas? Continuamos a voar — cada um à sua maneira. “Sinto saudades de observar”, responde o fotógrafo iraniano Mahmoud Reza Moeinpour (@reza.moeinpour).

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Muitos iranianos sentem-se como aquelas pessoas que fazem um piquenique no meio do lago salgado de Maharloo, nas proximidades de Shiraz. Estão isolados, fechados em casa como o fotógrafo Mahmoud Reza Moeinpour, habituado a percorrer o Irão e com saudades principalmente das pessoas “de coração quente” e das histórias que documenta. Há mais de dois meses que a sua máquina fotográfica está num canto do seu quarto. “Sinto saudades de observar”, diz à Fugas. Os rios mais ricos, os campos de arroz, os padrões, as paredes, o céu e os piqueniques. “Na casa de todos os iranianos, certamente que verás uma obra de arte que é mantida com amor.”

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Mahmoud Reza Moeinpour

Como é o teu dia-a-dia durante a pandemia?
Perante esta crise global, fechei-me em casa, onde tenho conseguido responder aos pedidos de trabalho. Actualmente tenho mais tempo livre do que no passado e uso esse tempo para melhorar a minha agilidade em programas de edição de vídeo e para estudar fotografia e cinema. Tenho aconselhado os meus amigos a não negligenciarem o exercício em casa. E digo-lhes que escolham um instrumento musical para aprender ou que tenham aulas online para aprenderem um novo idioma.

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De que é que tens mais saudades — e de fotografar?
Não é segredo nenhum que a fotografia requer pesquisa e muita observação. A situação actual tirou a maioria dos fotógrafos do mundo exterior, e isso fez com que a produção do trabalho de muitos artistas parasse. Todos nós temos que ficar em casa para todos nos livrarmos da pandemia e para determos a cadeia de transmissão do vírus. Tenho saudades de observar. Há mais de dois meses que a máquina fotográfica está num canto do meu quarto. Não sou fotojornalista e, apesar de fazer fotografia de rua há muitos anos, sei que neste momento a minha presença na rua representa um perigo para mim e para os outros.

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Como vês o teu país no futuro?
O futuro do meu país será muito claro, para além de todas as questões políticas. O Irão tem uma história muito antiga, com pessoas muito gentis, hospitaleiras, pacíficas e amantes da arte. Na casa de todos os iranianos, certamente que verás uma obra de arte que é mantida com amor. Temos jovens talentosos no campo da ciência e da arte que mudarão o futuro do meu país. Quem já visitou o Irão volta ao seu país com a recordação de ter sido acolhido por pessoas cordiais e hospitaleiros de coração quente. Nós amamos todas as pessoas do mundo.

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Mentalmente já planeaste a primeira viagem depois disto?
Durante esse período, sinto falta de viajar. Conheço muitos países de África, da Ásia e da Europa. Este é um momento muito difícil para um fotógrafo que não pode viajar. É uma prova de resistência que temos que vencer para todos ficarmos seguros. Gostaria de voltar a viajar pelo Irão, um paraíso pela sua diversidade climática, cultural e atracções históricas — tanto para turistas, fotógrafos documentais ou de natureza. Ouvi muito falar da beleza de Portugal e também da gentileza e hospitalidade dos portugueses. Também está no topo da minha lista.