Hospitais privados preparam regresso de actividade não urgente. Vídeoconsultas foram aposta

Durante este período, os grupos privados realizaram milhares de teleconsultas para continuar a acompanhar os doentes. O regresso de actividade implica rastreios à entrada das unidades, consultas e exames mais espaçados para evitar grandes concentrações.

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LUSA/ZOLTAN BALOGH

Os maiores grupos privados de saúde estão a preparar o regresso da actividade não urgente que foi suspensa por causa da pandemia. Com reduções grandes na actividade programada, durante o último mês as vídeoconsultas foram uma solução para manter milhares de consultas.

“Em face das medidas de segurança adicionais que foram criadas, todas as consultas, exames e cirurgias urgentes foram realizadas, o que significa que cerca de 70% da actividade planeada foi adiada ou substituída por vídeoconsultas e consultas telefónicas”, diz o grupo Luz Saúde, em resposta por escrito. “Só no último mês foram realizadas cerca de 3000 vídeoconsultas em mais de 40 especialidades”, refere.

A retoma está a ser feita de forma faseada, “garantindo a máxima segurança para os profissionais de saúde e para os clientes”, e “nas próximas semanas” a Luz Saúde espera estar a funcionar a nível nacional dentro da normalidade. Os clientes já estão a ser contactados “para reagendamento das suas cirurgias, consultas e exames presenciais não urgentes”. Mantêm-se “regras de segurança rígidas dentro do ambiente hospitalar”, com a medição de febre e entrega de máscara a quem entra nos hospitais e clínicas do grupo.

Durante esta fase, a resposta de saúde foi reorganizada para que não fossem interrompidos o acompanhamento de “doentes em tratamento (oncologia, por exemplo), a vigilância de doentes com patologias crónicas, o seguimento de grávidas, as consultas de rotina obrigatória de pediatria e o cumprimento dos planos de vacinação, entre outros”. Foi criada também uma linha de triagem por telefone para aconselhamento antes da deslocação a uma das unidades do grupo.

O Grupo Lusíadas Saúde explica que “a actividade programada caiu cerca de 90%” em comparação com o período homólogo. Também aqui, como noutros hospitais, as teleconsultas foram uma solução para dar resposta aos doentes que seguem. “Foi um serviço que lançámos após a chegada do novo coronavírus a Portugal, como forma de continuar a servir os clientes para além da covid-19”, explica o grupo, por escrito.

“E consideramos que foi uma aposta acertada, pois tão importante como já termos mais de 6000 vídeoconsultas realizadas é o feedback muito positivo que temos recebido dos clientes mas também dos profissionais de saúde”, acrescenta, referindo que estão “desde o início em constante adaptação a um período que representou algo de novo para todos”.

Parte desse esforço de adaptação, diz, centra-se na forma como podem disponibilizar os serviços à população, “garantindo o cumprimento de todos os protocolos e regras de segurança exigidos pelo momento que vivemos”. “Estaremos certamente prontos para regressar à actividade assim que as condições o permitam”, afirma o grupo.

"Limite ao número de pessoas” nas unidades

O grupo Mello Saúde, que gere a rede CUF, “prevê abrir as marcações da actividade programada - suspensa devido ao período de contenção da pandemia - a partir de 27 de Abril, iniciando a actividade clínica de forma mais ampla em Maio”. Como medidas de segurança de profissionais e clientes, “os tempos de duração de consulta e exames serão alargados, para dessa forma limitar o número de pessoas presentes em cada momento nas unidades”.

“Assim sendo, com protocolos de protecção e segurança reforçados, para doentes e colaboradores, a rede CUF irá começar por retomar as consultas, exames, cirurgias, entre outros actos clínicos, suspensos devido ao período de contenção da pandemia, e progressivamente abrir a actividade clínica não programada”, explica. A retoma progressiva não será feita sem os cuidados extra já implementados: “Rastreios à entrada das unidades, reforço de medidas de desinfecção, reorganização das salas de espera, manutenção de restrições de visitas, alargamento dos tempos de consulta, entre outras.”

A teleconsulta “continuará a desempenhar um papel relevante junto dos doentes, na medida em que assegura a continuidade dos cuidados de saúde para os casos em que seja clinicamente adequado”. No primeiro mês de lançamento, a CUF realizou mais de 10 mil teleconsultas. “Com uma crescente adesão dos doentes a este modelo e com o número médio de teleconsultas a crescer semanalmente na ordem dos 73%, actualmente a CUF está a realizar, por dia, cerca de 900 teleconsultas”, refere o grupo.