Covid-19: Cascais sem meios suficientes para controlar acesso às praias

A Capitania de Cascais tem 18 efectivos para vigiar o terreno, uma área de jurisdição que abrange 77 quilómetros de costa em quatro municípios.

Praia do Guincho
Foto
Mario Lopes Pereira

A Câmara Municipal de Cascais anunciou nesta sexta-feira que não têm meios humanos ou materiais para assegurar o controlo do acesso e cumprimento das regras de distanciamento social das praias, na sequência da pandemia, estando a aguardar informações do Governo.

Em resposta enviada à agência Lusa, o município adiantou que, tal como a Capitania do Porto de Cascais, não possui de meios para controlar a lotação máxima de banhistas durante a época balnear.

“A Capitania de Cascais tem 18 efectivos [no Verão] para vigiar o terreno e, neste caso, o terreno é uma área de jurisdição que abrange 77 quilómetros de costa em quatro municípios. É injusto colocar o ónus de enforcement [execução, em tradução livre] destas novas regras sobre eles”, referiu a autarquia.

Além de Cascais, a área de jurisdição abrange os municípios de Sintra, Mafra e Torres Vedras.

Para a autarquia, é “irrealista” os nadadores-salvadores virem a despenhar funções da Polícia Marítima, uma vez que não têm competências legais para tal.

O município observou ainda que o Governo deve garantir ferramentas para assegurar a fiscalização e a implementação da lei relativamente à reabertura das praias, para não colocar em risco a segurança das pessoas, bem como envolver as Câmaras Municipais nos grupos de trabalho técnicos.

Segundo a Câmara de Cascais, a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) participa nos grupos de trabalho, mas não tem conseguido reflectir as especificidades da realidade dos diferentes tipos de litoral.

Ainda com várias dúvidas sobre a reabertura das praias, a autarquia sublinhou que o processo tem de ser feito de forma gradual.

“Por exemplo, equacionamos, numa primeira fase, permitir o acesso à praia para a prática de desporto ou passeios [caminhada, corrida, surf], porém sem grupos e sem permanência no areal ou parques de estacionamento”, indicou.

Atendendo à conjuntura económica, a reabertura das praias poderá contemplar soluções diferenciadas para estabelecimentos comerciais, paredão e areal, segundo o município.

“Há actividades comerciais associadas à praia, a cuja preservação devemos atentar - a restauração nas praias por exemplo, representa 450 empregos no concelho de Cascais. Tentaremos que estas actividades sejam reabertas o mais depressa possível desde que haja condições para tal, o que poderá ocorrer mesmo antes da reabertura do areal”, pode ler-se na resposta à Lusa.

A Câmara Municipal de Cascais acrescentou que está a considerar apoiar os estabelecimentos comerciais com a aquisição de material de higienização, além da isenção de taxa já implementada.

O município lembrou ainda que tem estado em permanente contacto com os concessionários, as escolas de surf, a Capitania do Porto de Cascais, as associações de nadadores-salvadores, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e a delegada regional de saúde para “identificar as melhores soluções possíveis tendo em conta o contexto actual”.

Na quinta-feira, a coordenadora do Programa Bandeira Azul informou que as praias nacionais vão ter lotação máxima de banhistas durante a época balnear, na sequência da pandemia, que vai ser calculada em função da “capacidade de carga” de cada praia.

“As praias, sendo espaços públicos, também terão de ter os procedimentos e regras a serem implementados para segurança de todos e que têm a ver, obviamente, com o distanciamento social”, para impedir a propagação da pandemia da doença provocada pelo novo coronavírus, explicou à agência Lusa a coordenadora nacional do programa Bandeira Azul da Associação Bandeira Azul da Europa (ABAE), Catarina Gonçalves, na ocasião.

Sugerir correcção