Países Baixos anulam a época sem campeão, descidas ou subidas

É a segunda vez na história que o campeonato holandês não é completado. Medida, que tem de ser ratificada pela UEFA, está a gerar críticas.

AFC Ajax
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Ajax terminou em primeiro lugar, mas não averbou o título de campeão DR

Poderá ser apenas a primeira peça do dominó dos cancelamentos. A federação de futebol dos Países Baixos (KNVB) assumiu esta sexta-feira a interrupção definitiva da temporada 2019-20 nos dois principais escalões, decidindo encerrar a época sem atribuir o título de campeão ou decretar subidas e descidas. Uma decisão que surge depois de uma consulta aos responsáveis da UEFA e de o primeiro-ministro do país ter proibido a realização de grandes eventos públicos até 1 de Setembro.

O fim antecipado da temporada tornou-se, assim, inevitável, já que o prazo determinado pelo Governo excede largamente o limite definido pela UEFA para fechar o ciclo 2019-20. Os moldes como a Eredivisie e o segundo escalão encerrariam para balanço é que foram divulgados nesta tarde e, como seria de esperar, não recolheram unanimidade.

No total da votação dos clubes, em assembleia realizada por videoconferência e com formalização das posições por mail, registaram-se 16 votos a favor da aplicação de promoções e despromoções, nove contra e nove votos em branco. Uma divisão evidente entre os participantes na prova - e foram vários os emblemas a contestarem o facto de os votos neutros terem sido usados para se chegar a este desfecho -, que acabou por levar a direcção da KNVB a tomar uma decisão.

“Ao contrário das provas europeias, em que fomos instados a encontrar uma solução que estivesse de acordo com as directrizes da UEFA, não existem indicações da UEFA para os casos de promoção e despromoção. Uma vez que ainda tínhamos muitas jornadas por disputar, decidimos que não podemos determinar subidas e descidas”, explicaram os dirigentes do organismo. 

Depois de a II Grande Guerra ter inviabilizado a campanha de 1944-45, a pandemia de covid-19 obrigou, pela segunda vez na história da competição, à anulação da prova, que não terá um campeão designado, numa altura em que Ajax e AZ Alkmaar partilhavam a liderança. Na prática, os dois primeiros da Eredivisie somavam os mesmos pontos e a formação de Amesterdão só se destacava ligeiramente na diferença de golos.

Encontrar os clubes que vão participar nas competições europeias em 2020-21 terá sido bem mais pacífico, porquanto a KNVB se limitou a seguir as instruções da UEFA. Feyenoord, PSV e Willem II asseguram uma vaga na Liga Europa, enquanto Ajax e AZ terão a hipótese de atingir a Liga dos Campeões, através do play-off e da 2.ª pré-eliminatória, respectivamente. 

No extremo oposto da classificação da Liga holandesa, Den Haag e RKC manter-se-ão entre a elite apesar de ocuparem a cauda da tabela, barrando assim (já que foi rejeitado um cenário de alargamento) as subidas de Cambuur e De Graafschap, que terão de competir, pelo menos durante mais uma época, no segundo escalão da hierarquia.

Todo este quadro de decisões carece da aprovação final da UEFA e a federação dos Países Baixos deverá comunicá-lo oficialmente ao organismo até 25 de Maio. “Neste contexto, não faz sentimos falarmos de um campeão. Nesse sentido, limitámo-nos a confirmar a ordem das posições dos clubes no momento em que o campeonato foi interrompido”, acrescenta a direcção da KNVB.

Como seria expectável, este desfecho gerou alguma discordância e as consequentes críticas, que já começaram a chegar pela voz dos representantes do AZ Alkmaar, do FC Utrecht (que fica fora das provas europeias e ameaça contestar a decisão em tribunal) ou do De Graafschap. “O que foram fazer? Isto é incompreensível e bizarro. É muito injusto e estou a a sofrer com isto. Ainda não falei com os jogadores, mas eles vão ficar devastados também”, reagiu Mike Snoei, treinador do segundo classificado da II Liga.

O facto de todo este processo ter sido conduzido pela KNVB em permanente contacto com a UEFA deverá tornar a aprovação do organismo que rege o futebol europeu num simples pro forma, traçando uma fronteira clara face ao que aconteceu com a congénere da Bélgica (a decisão unilateral de antecipar o fim da época provocou desagrado na UEFA e um apelo posterior para que todas as federações permaneçam unidas).

De resto, o comunicado emitido nesta semana pela entidade presidida por Aleksander Ceferin é claro acerca dos casos em que admite o cancelamento dos campeonatos: “Quando existir uma ordem a proibir eventos desportivos, que impeça as competições domésticas de serem completadas antes do início da próxima temporada”. E a verdade é que a UEFA já tinha informado que quer ver as Ligas terminadas até aos primeiros dias de Agosto.

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