Bundesliga acredita que regressará dia 9 de Maio mas adeptos estão contra

O retorno do futebol aos relvados alemães será feito sem público nas bancadas e só aguarda o sim das autoridades governamentais.

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O futebol na Alemanha está perto de regressar aos relvados Reuters/ANDREAS GEBERT

Só falta o sim dos governadores dos diferentes estados e do Governo federal alemão para que a Liga alemã de futebol, suspensa desde 16 de Março devido à pandemia de covid-19, regresse. Para já, a data prevista é 9 de Maio, anunciou nesta quinta-feira o presidente da Liga de clubes germânica, Christian Seifert, embora também possa ocorrer um pouco mais tarde.

O anúncio de Seifert surge no dia em que os 36 clubes das duas principais Ligas germânicas — primeiro e segundo escalões —, se reuniram para decidirem qual o caminho a seguir em relação às competições profissionais.

“Se os governadores dos estados e o governo federal decidirem que esse dia [do regresso] será em 9 de Maio, estaremos preparados”, referiu o dirigente, explicando que os jogos terão um limite de 213 pessoas no estádio e 109 nas imediações.

Dois governadores já sinalizaram que são favoráveis ao reinício do campeonato: Armin Laschet (Renânia do Norte-Vestfália) e Mark Söder (Baviera) disseram, em entrevistas ao portal Kicker, não ver problemas na realização de jogos desde que sem público nas bancadas. “Um fim-de-semana com futebol é muito mais tolerável do que um fim-de-semana sem futebol”, chegou mesmo a afirmar Söder.

Coincidência ou não, 13 clubes das duas divisões profissionais alemãs localizam-se, precisamente, nesses dois estados — quatro na Baviera e nove na Renânia do Norte-Vestfália.

Também o ministro da Saúde, Jens Spahn, deixou a porta aberta ao regresso do futebol. “Com precauções, certamente os jogos com portões fechados são novamente possíveis”, disse.

A confirmar-se esta vontade de recolocar a bola a rolar nos relvados, a Bundesliga poderá ser o primeiro entre os principais campeonatos europeus a retomar a actividade, depois desta ter sido suspensa em meados de Março e até 2 de Abril, suspensão prolongada mais tarde até 30 de Abril. E foi com esta perspectiva no horizonte que, logo na primeira semana de Abril, alguns clubes recomeçaram os treinos, ainda que de forma condicionada e em pequenos grupos, entre os quais o campeão Bayern Munique, o Eintracht Frankfurt, o Wolfsburgo, o RB Leipzig e o Borussia Dortmund.

A Alemanha ensaia, desde segunda-feira um regresso progressivo à normalidade, embora as grandes concentrações populares continuem proibidas até, pelo menos, 31 de Agosto.

A decisão, contudo, está longe de ser consensual. Desde logo porque a federação alemã prometeu que os jogadores e técnicos serão submetidos a testes de detecção de covid-19 a cada três dias. Estima-se a necessidade de 20.000 testes para garantir que os jogos sejam disputados sem riscos. Um número elevado e que gerou críticas.

“Acho que os testes deveriam ser usados onde há um sentido médico”, declarou Lars Schaade, vice-presidente do Instituto Robert Koch, encarregado da vigilância epidemiológica no país. “Não vejo motivo para que certos grupos da população sejam submetidos a um controlo sistemático”, acrescentou.

E os próprios adeptos não receberam a notícia de um eventual regresso da Bundesliga com entusiasmo. Para a influente associação de adeptos “Unsere Kurve” (“Nossa Curva”), encerrar o campeonato sem concluí-lo é melhor do que reiniciá-lo sem público nos estádios. Já para o Franszenen Deutschlands, outra associação de adeptos, reiniciar o campeonato “é um insulto ao restante da sociedade (...), especialmente aos profissionais de saúde”.

Esta última associação de adeptos, uma entidade que engloba 70 claques organizadas, lançou mesmo um manifesto no qual critica duramente as intenções dos dirigentes de recomeçar os campeonatos das duas principais divisões do futebol alemão.

“O reinício do futebol, mesmo com jogos-fantasma, não se justifica sob nenhuma circunstância, porque é uma desconsideração especialmente para todos aqueles envolvidos na luta diária contra o coronavírus. Há semanas que ouvimos relatos sobre a falta de testes para covid-19 e a ideia de testar constantemente todos os jogadores antes e depois dos jogos é simplesmente absurda. Isso sem contar que, provavelmente, haverá aglomerações de adeptos nas imediações dos estádios, infringindo assim as regras do distanciamento em vigor”, lê-se no texto.

No mesmo sentido vai a declaração de um adepto de um clube da II Divisão à revista Der Spiegel e que não se quis identificar. “Vivemos diariamente restrições aos nossos direitos fundamentais. Todos os dias morrem pessoas devido ao novo coronavírus. Faltam máscaras, a economia definha. Neste contexto, é inadmissível que 36 clubes-empresa façam de conta que para eles possam existir regras especiais. E é bom lembrar que, no ano passado, a Bundesliga registou uma facturação recorde de 4,8 mil milhões de euros, e, ainda assim, somos informados pelos dirigentes de que 13 dos 36 clubes profissionais estarão à beira da falência caso haja uma interrupção abrupta da actual temporada.”

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