Mais casos de cancro de pele em doentes tratados com Picato

Medicamento estava indicado para tratar lesões de pele superficiais resultantes, por exemplo, de exposição solar crónica ao longo de muitos anos. Autoridades pedem a doentes que usaram medicamento que se mantenham atentos e procurem assistência médica.

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Rui Gaudêncio

As autoridades concluíram que existe uma maior ocorrência de cancro de pele nas pessoas que usaram o medicamento Picato, que trata algumas lesões de pele, e pedem a estes doentes que se mantenham atentos e procurem assistência médica.

De acordo com o Infarmed, o comité de avaliação do risco em farmacovigilância da Agência Europeia de Medicamento (EMA, na sigla inglesa) terminou a reavaliação do perigo de cancro de pele em doentes tratados com Picato (mebutato de ingenol) e concluiu que o perfil de benefício-risco deste fármaco é negativo.

O medicamento Picato estava indicado para problemas como as queratoses actínicas, que são lesões de pele superficiais que podem surgir sob a forma de uma ou várias lesões escamosas. Estas lesões, que ocorrem mais frequentemente em áreas sujeitas a exposição solar crónica ao longo de muitos anos, são vermelhas ou acastanhadas, algumas vezes com uma superfície escamosa e áspera ao toque.

A autorização de introdução no mercado do Picato estava revogada, a pedido do titular (a Leo Laboratories) desde Fevereiro. As conclusões da EMA “mostraram uma maior ocorrência de cancro de pele, especialmente carcinoma espinocelular, em doentes tratados com Picato comparativamente com Imiquimod, outro medicamento para queratose actínica, confirmando-se também que a eficácia do Picato não se mantém ao longo do tempo”, esclarece o Infarmed.

A Autoridade Nacional do Medicamento e a EMA recomendam que os doentes que usaram Picato se mantenham atentos ao desenvolvimento de lesões na pele e que, caso estas ocorram, procurem assistência médica.

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