Literacia mediática

7 Dias com os Media, agora sem sair de casa e numa relação mais chegada

Desinformação e segurança online assumem este ano lugar de destaque na semana de 3 a 9 de maio, mas qualquer tema é bem-vindo. Todos estão convidados a participar: famílias, professores e alunos, vizinhos e associações, jovens e idosos. Podem propor atividades ou aproveitar os desafios que pela primeira vez irão sendo divulgados.

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Nelson Garrido

Qual a importância dos meios de comunicação social nas nossas vidas? Como nos relacionamos com eles? Há já alguns anos que a semana que tem início a 3 de maio, Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, é também semana de “7 Dias com os Media”. Cidadãos e instituições são convidados a pensar acerca do assunto e a promover ações que de algum modo o abordem: questionários, jogos, vídeos, um cartaz, uma notícia...

Este ano, no entanto, há qualquer coisa de estreia nesta iniciativa lançada anualmente pelo GILM (Grupo Informal sobre Literacia Mediática). Desde logo, porque as pessoas estão em casa e portanto o repto implica “7 Dias com os Media sem sair de casa”. E depois porque esse estar em casa, ditado pela pandemia de covid-19, ditou também uma familiaridade com os media bem distinta da que era a experiência anterior de cada um, quaisquer que fossem os seus hábitos.

“Os media são uma espécie de janela para o mundo.” Antes, “usávamos essas janelas e isso ocupava parte do nosso tempo”, mas íamos mantendo uma forma de vida “que permitia outra interação com o mundo”. Este ano, “esta janela assume uma importância quase absoluta”. Não é suposto haver contacto direto, “a nossa relação com o mundo está completamente mediada por esta janela”. A imagem é utilizada por Sérgio Gomes da Silva, diretor de Serviços de Relações Internacionais e Comunicação da Secretaria-Geral da Presidência do Conselho de Ministros (uma das entidades que integram o GILM), para sublinhar a oportunidade da iniciativa. “Gostaríamos que as pessoas refletissem sobre isso”, acrescenta.

Para essa reflexão o GILM sugere este ano os temas da desinformação e fake news e da segurança online. Perante a torrente de desinformação gerada desde o início da pandemia, “a importância de combatê-la torna-se ainda mais aguda”, reforça Sérgio Gomes da Silva. Bem como o domínio de regras de segurança no mundo digital.

“Estamos a viver um contexto excecional onde até o contacto com todos os que não vivem connosco se faz, quase exclusivamente, através dos meios audiovisuais e online, onde o uso das redes sociais se intensificou, a informação está constantemente a ser partilhada sem filtros e há, naturalmente, um clima de grande incerteza, desconhecimento e ansiedade. A desinformação e as notícias falsas proliferam, com o risco de causar danos sociais, nomeadamente em termos de saúde pública” — resume o texto de apresentação desta edição dos “7 Dias com os Media”, que inspirou uma música, contributo da Rádio ZigZag.

Desafios todos os dias

Desinformação, fake news e cibersegurança servem, por isso, de mote a um conjunto de desafios preparados pelo GILM. Também eles uma novidade, estes desafios serão divulgados diariamente, na semana entre 3 e 9 de maio, no site desta iniciativa de que o PÚBLICO, através do PÚBLICO na Escola, é parceiro. Centrar dentro de casa uma operação habituada a decorrer noutros contextos implicou um certo “reposicionamento de objetivos e atividades”, explica Sara Pereira, investigadora do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho (outro dos membros do GILM). Os desafios propostos são simples, não requerem grandes recursos ou planificação. Pretende-se “chegar à mesma aos professores, para que possam desenvolver algumas atividades com os alunos, mesmo que à distância”, ao mesmo tempo que se tenta trazê-las para o contexto familiar — e sem limite de idade, à semelhança do que já acontecia. Várias das atividades inscritas na iniciativa em anos anteriores tinham, de resto, os mais velhos como destinatários.

A semana dos “7 Dias com os Media” continua aberta à participação de todos os que, independentemente dos desafios desta vez disponíveis, quiserem criar qualquer outra iniciativa que se enquadre neste âmbito. Sem tema obrigatório nem formato pré-definido. O registo é feito aqui.

O importante, continua Sara Pereira, é “desenvolver alguma reflexão sobre os media na altura em que passaram a fazer mais parte da nossa vida”. À procura de informação sobre o que se está a passar, imediatamente traduzida num aumento de leitores e espectadores, soma-se a ligação, contínua como nunca, às plataformas de trabalho e aprendizagem à distância, lembra. 

No que aos órgãos de comunicação social diz respeito, o novo público terá vindo para ficar? “Era bom que se mantivessem na informação credível e dispostos a pagar por ela”, defende a investigadora. É provável, antecipa, que “quando voltarmos às nossas vidas, as práticas mediáticas também voltem ao que eram”. 

Maio de 2020. “7 Dias com os Media”, agora sem sair de casa e numa relação mais chegada. Duradoura? Mais um tema para inspirar reflexão.

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