Covid-19: morreram mais 21 pessoas em Portugal. Há 20.863 casos confirmados

Há 215 pessoas internadas em unidades de cuidados intensivos e 88% dos infectados estão a recuperar em casa. O continente europeu ultrapassou as cem mil mortes em pessoas com covid-19.

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Hospital de São João, Porto Manuel Roberto

Portugal registou no último dia mais 21 mortes de covid-19, aumentando o total para 735 desde o início da pandemia. O país tem um total de 20.863 casos de infecção pelo vírus SARS-CoV-2, mais 657 do que no dia anterior – o que corresponde a uma taxa de crescimento de 3,2%. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira no boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS).

A taxa de letalidade em Portugal é de 3,5%, e acima dos 70 anos é de 12,8%. O número de recuperados mantém-se inalterado: são 610 — para se ser considerado “curado”, são precisos dois testes negativos.

Há 1208 pessoas internadas e 215 em unidades de cuidados intensivos (menos nove do que no domingo). Pessoas em tratamento no domicílio são 87,8% dos casos. A percentagem em internamento é de 5,8%, com 1,8% em cuidados intensivos e 4,8% em enfermaria”, revelou o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, em conferência de imprensa.

Lacerda Sales anunciou que a taxa de ocupação das unidades de cuidados intensivos chega aos 54%, detalhando o destino dos 66 ventiladores que chegaram a Portugal, este domingo, vindos da China. “Chegaram ontem [domingo] 66 ventiladores a Portugal vindos da China, como estava previsto. Esses ventiladores serão distribuídos de imediato por todo o país: destes, 40 ficarão na região norte e centro; as restantes unidades serão distribuídas por hospitais de Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve.”

O Norte é a região com mais casos — ao todo, são 12.543 pessoas com diagnóstico positivo e 424 mortes. Lisboa e Vale do Tejo tem 4709 e 130 mortes; o Centro tem 2952 casos e 164 mortes. No Algarve há 11 mortes e nos Açores seis mortes; no Alentejo e na Madeira não há mortes registadas. O concelho do Porto tem 1068 casos e o concelho de Lisboa tem 1060 casos, assim como o concelho de Vila Nova de Gaia.

Captar o maior número de casos suspeitos

Questionada sobre o elevado número de casos suspeitos que constam no boletim epidemiológico, a directora-geral da Saúde, Graça Freitas, explicou na conferência de imprensa que a estratégia passa por captar o maior número possível de casos suspeitos. Relativamente aos lares de idosos, Graça Freitas diz que o objectivo passa por garantir que, até ao início de Maio, na zona norte, todos os profissionais sejam testados.

“Neste momento utilizamos no SNS uma malha muito larga. Preferimos apanhar muitos casos que não sejam positivos a deixar passar um caso positivo. Todas as pessoas que ligam para o SNS24 e que apresentam sintomas, mesmo que sejam ligeiros, ficam como suspeitos. Depois são contactados por um médico, são testados e acabam por ser negativas. Mas é uma estratégia do nosso país captar o máximo possível de pessoas suspeitas para fazer o teste”, explicou.

António Lacerda Sales garante que os testes que Portugal irá receber nos próximos dias são fidedignos, apontando diferenças quanto a outros instrumentos de análise que, noutros países, causaram problemas.

“Estes 5000 testes estão validados pelo Infarmed, são fiáveis, mas é importante que se entenda que não têm nada que ver com os designados testes rápidos. Estes utilizam a tecnologia PCR e são, apesar de tudo, mais rápidos, porque são realizados entre 45 minutos e uma hora. Serão distribuídos de acordo com os critérios da farmacêutica que detém estes testes. São testes que devem ser efectuados em situações de emergência: pré-cirurgia, grávidas e outras situações hospitalares. Até porque são um contingente limitado, para já”, explicou. 

Em relação às máscaras, a directora-geral diz que não há falta de equipamento. “Como devem saber, temos sempre dito que o seu uso [de máscaras cirúrgicas] não pode comprometer a necessidade maior de utilização de profissionais de saúde e doentes. Dito isto, se as pessoas estão a usá-las é porque o mercado tem capacidade de as abastecer. Sendo que nós estamos a conseguir adquirir para abastecer o nosso mercado. Em qualquer altura que não aconteça, as pessoas que estão a usar máscaras cirúrgicas têm de usar outro equipamento. Mas que fique claro que não pode haver falta nestes sectores mais importantes”, afirma Graça Freitas. 

Até domingo, Portugal tinha registado um total de 714 mortes (mais 27 do que no sábado) e ultrapassado os 20 mil casos registados de infecção pelo vírus SARS-CoV-2 — uma subida de novos casos de 2,6% em relação ao dia anterior. Portugal está em estado de emergência até dia 2 de Maio.

A nível global, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 165 mil mortos e infectou mais de 2,3 milhões de pessoas em 193 países e territórios. Mais de 525 mil doentes foram considerados curados. Na Europa, são já mais de cem mil mortes causadas por covid-19. Itália continua a ser o país europeu com mais mortes, mas Espanha é o que tem mais infectados: são mais de 200 mil.