Torne-se perito

Milhares de consultas e cirurgias suspensas retomadas a partir da próxima semana

Presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia congratula-se com esta decisão anunciada pela ministra da Saúde.

Cirurgia
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Paulo Pimenta

As consultas e cirurgias não urgentes que foram suspensas em 16 de Março por causa da epidemia de covid-19 vão começar a ser reagendadas a partir da próxima semana. O anúncio feito este sábado pela ministra da Saúde na habitual conferência de imprensa diária para balanço da situação epidemiológica vem dar resposta aos apelos de responsáveis de sociedades científicas e especialistas de diversas áreas que têm vindo a alertar para os efeitos perniciosos do adiamento da actividade assistencial programada, nomeadamente na oncologia e na cardiologia.

A quebra da actividade assistencial não urgente em Março foi “muito significativa”, admitiu a ministra Marta Temido, que contabilizou o impacto desta suspensão : o Serviço Nacional de Saúde SNS fez menos 3,9% consultas nos centros de saúde, cerca de 300 mil, menos 5,7% consultas hospitalares (180 mil) e menos nove mil cirurgias não urgentes (o que corresponde a uma redução de 5,3%); nos episódios de urgência a queda foi de 11,5% e o INEM registou menos 300 accionamentos por dia. "Está na altura de invertermos esta lógica”, enfatizou .

Sem avançar detalhes, a ministra explicou que o despacho de 16 de Março que determinou o adiamento da actividade assistencial não urgente para concentrar a resposta no combate à epidemia de covid vai ser suspenso no decurso da próxima semana, depois de uma articulação com as administrações regionais de saúde, os agrupamentos de centros de saúde e os hospitais.”Espero que no final da próxima semana possamos retomar progressivamente a actividade normal”, rematou.

O anúncio foi recebido com satisfação pela presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO), Ana Raimundo, que na semana passada tinha alertado para o facto de estarem a ser feitos menos exames para um primeiro diagnóstico de cancro, o que poderá ter um efeito negativo a médio ou longo prazo. “É uma boa notícia. É preciso transmitir segurança aos doentes que deixaram de aparecer”, disse Ana Raimundo ao PÚBLICO.

Foi nos meios auxiliares de diagnóstico que se notou uma maior redução, nomeadamente TAC (tomografia axial computorizada), ressonâncias magnéticas, colonoscopias, enumerou a presidente da SPO. Observou-se igualmente uma quebra nos novos diagnósticos, o que se explica não só porque muitos recursos humanos estão dedicados ao combate à epidemia de covid mas também porque os próprios doentes evitam recorrer aos hospitais por terem medo de serem infectados pelo novo coronavírus, disse ainda Ana Raimundo.

Mas a oncologia não é a única área afectada. O presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, Vítor Gil, adiantou ao Observador que houve uma diminuição de 26% das intervenções coronárias em fase aguda.

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