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Catherine McGann/Getty Images

Uma epidemia mais silenciosa: a sida

Os “anos sida” estão ainda bem perto de nós, e a doença está muito longe de ter sido extinta, mas desde o seu início, nos anos 80, que essa epidemia foi “desviada” para um espaço muito mais silencioso do que qualquer outra, o que a tornou também muito mais apropriável em termos artísticos.

A epidemia que agora sobreveio e ditou uma mobilização total, planetária, nunca antes vivida, tem sido uma ocasião para recordar — e comparar — epidemias passadas. Mas, curiosamente, este exercício de evocação que recorre muito mais às construções da memória social do que à historiografia recua a tempos passados, às vezes longínquos, e parece esquecer uma epidemia que é ainda nossa contemporânea, pertence a um tempo muito próximo de nós: a segunda metade dos anos 80 e grande parte da década seguinte do século passado foram os “anos sida”. Parece que o complexo silêncio que desde o início envolveu a eclosão e a expansão dessa doença, tão apta a irracionais representações do vírus que a causava, continua activo, persistente.