Covid-19: Portugal com mais 30 mortes. Casos aumentam 4,1%

Casos crescem 4,1%, mortes 5,0%. Há 229 pessoas nos cuidados intensivos e 493 recuperadas. Lisboa volta a ser o concelho com mais casos, seguido do Porto.

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José Sena Goulão/Lusa

Portugal registou até esta quinta-feira 629 mortes, um aumento de 5,0% em relação às 599 confirmadas no dia anterior (mais 30 mortes). Foram identificados mais 750 casos desde quarta-feira, o que corresponde a uma taxa de crescimento de 4,1%. Desde o começo do surto, já foram identificados 18.841 casos.

Os números, divulgados esta quinta-feira no boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS), dão conta de 1302 pessoas internadas, das quais 229 estão nos cuidados intensivos (mais 21 do que na quarta-feira). Há 16.417 pessoas a receber tratamento em casa, o que corresponde a cerca de 87% dos casos, segundo números adiantados por António Lacerda Sales na conferência de imprensa desta quinta-feira. Pelo menos 6,9% dos doentes estão internados – 1,2% nos cuidados intensivos e 5,7% em enfermaria.

Há 3910 pessoas a aguardar resultado laboratorial e 26.065 estão sob vigilância das autoridades de Saúde. O número de pessoas recuperadas subiu para 493 (mais 110 que no dia anterior). Uma pessoa é considerada “curada” depois dois testes negativos.

Na quarta-feira, Portugal tinha registado um total de 599 mortes e 18.091 casos de infecção.

Nas vítimas mortais, 544 das 629 vítimas estão acima dos 70 anos, cerca de 86%. O relatório dá ainda conta da morte de 59 pessoas que tinham entre 60 e 69 anos; 18 com idades entre os 50 e 59 anos; e oito pessoas entre os 40 e os 49 anos (duas mulheres e um homem).

Durante a conferência de imprensa desta quinta-feira, o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, situou a taxa de letalidade global em 3,2% e, acima dos 70 anos, em 12%.

A região norte continua a ser a que concentra o maior número de casos, com 11.237 pessoas infectadas e 355 óbitos – quase 60% da totalidade dos casos e 56% das mortes. A segunda região mais afectada é a de Lisboa e Vale do Tejo, com 4237 casos confirmados e 115 vítimas mortais.

Os Açores e a Madeira são as regiões com menor número de casos, com 102 e 53, respectivamente. O Alentejo e a Madeira são as únicas regiões sem mortes registadas.

Lisboa voltou a ser o concelho com maior número de casos (996), seguido de Porto (988) e Vila Nova de Gaia (956).

Os infectados por concelho podem ser mais do que os registados no boletim, uma vez que os números são os do SINAVE – Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica, que correspondem a 82% dos casos confirmados.

“Profissionais de saúde são população especial, que tem capacidade de se autovigiar”

António Lacerda Sales informou que há 2131 profissionais de saúde infectados: 566 enfermeiros, 396 médicos e 1169 entre assistentes técnicos, operacionais e outros trabalhadores. Questionada sobre estes números de profissionais de saúde contaminados, a directora-geral de Saúde, Graça Freitas, aproveitou para explicar que alguns conseguem vigiar-se na sua quarentena, não precisando de tanta mobilização dos serviços de saúde.

“Existe a vigilância activa, que quer dizer que uma pessoa em casa durante 14 dias é contactada pelo profissional de saúde, para saber que sintomas tem tido. Mas, muitas vezes, as pessoas têm capacidade para fazer autovigilância e, se tiverem alteração de sintomas, reportam a situação. Nesse caso, não precisam de vigilância activa. É o caso de alguns profissionais de saúde, que são uma população especial, que tem capacidade de se autovigiar.”

Noutro âmbito, sobre o cumprimento geral das medidas impostas no país, Graça Freitas optou por remeter a responsabilidade para as forças policiais. “A questão do confinamento tem sido observada por diversas autoridades. Compete às forças policiais controlar fluxos de pessoas e perceber se estão, ou não, a cumprir o que está preconizado. É um esforço concertado e cada um faz o seu papel.”

E apontou à suavização das medidas em Ovar, com o levantamento da cerca sanitária, deixando o concelho de estar em regime de excepção. “A decisão deverá ser dia 18 ou 19, mas não quero cometer nenhuma inconfidência”, avançou, antes de pormenorizar a situação do concelho nortenho. “Ovar é um bom exemplo. Foi alvo de medidas proporcionais e extraordinárias. Entretanto, felizmente, a evolução da situação em Ovar indica que já não é uma situação especial. Ovar tem características da epidemia semelhantes a outras zonas do país“, explicou a directora-geral da Saúde.

DGS quer ver evolução de outros países para decidir descomprimir medidas

Graça Freitas avançou ainda que Portugal vai observar o que acontecerá noutros países para decidir quando e como aliviar medidas de contenção.

“Sobre o chamado ‘R0’, que é o número de pessoas que é necessário infectar para que a pandemia se mantenha, houve um país que decidiu que, quando o R0 fosse 0,7, estaria na altura de descomprimir as medidas. A grande vantagem, em Portugal, é que começámos o período epidémico mais tarde, pelo que vamos acompanhar diferentes critérios de diferentes países para vermos qual se adapta à nossa realidade.” “Em Portugal, o R0 está perto de 1, com pequenas variações regionais”, acrescentou.

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