Lisboa é o município onde a quarentena provocou maior redução de lixo

Empresas fechadas e menos turistas levaram a uma redução de 30% do lixo doméstico produzido por Lisboa. Municípios mais residenciais mantêm o mesmo nível de produção de resíduos.

Foto
Francisco Romao Pereira

A Valorsul teve uma quebra de 20% na recepção de resíduos municipais na área de Lisboa, entre a primeira e a segunda quinzena de Março, mas essa redução foi muito desigual entre os vários concelhos. De acordo com fonte oficial da empresa responsável pela valorização e tratamento de resíduos urbanos, “a maior redução aconteceu no município de Lisboa, com cerca de menos 30% de resíduos, uma vez que os restantes municípios da AML servidos pela Valorsul (Amadora, Loures, Odivelas e Vila Franca de Xira), por serem municípios mais residenciais e com menor actividade turística e empresarial, apresentaram menos impacto” nessa descida.

O fenómeno é explicado pela redução da actividade empresarial na cidade de Lisboa, com especial destaque no sector do turismo, que levou a uma menor produção de lixo.

Menos pessoas a deslocarem-se para a cidade e menos turistas não enchem tanto os caixotes do lixo. Em contrapartida, esperava-se que a produção de resíduos indiferenciados nos arredores de Lisboa aumentasse. Famílias inteiras em casa deveriam ter feito disparar a produção de lixo doméstico.

Mas tal não aconteceu, registando-se até uma ligeira descida, porque os concelhos de Amadora, Loures, Odivelas e Vila Franca de Xira não são exclusivamente dormitórios e também aí houve uma redução da actividade empresarial cuja descida na produção de resíduos anulou o aumento dos resíduos domésticos.

Em termos práticos, se antes da quarentena uma família destes concelhos fazia, grosso modo, uma refeição em casa (o jantar), agora fazem duas (almoço e jantar), mas, por outro lado, há empresas e pequenos negócios fechados que não produzem lixo.

Fora da área metropolitana de Lisboa, nos 14 municípios do Oeste onde a Valorsul também faz recolha, registou-se no mesmo período uma redução na produção de lixo de apenas 3%. O que torna ainda mais evidente a quebra lisboeta de 30%.

Restaurantes produzem menos 80% do lixo

No que diz respeito à recolha selectiva de restos alimentares, a estação de tratamento e valorização orgânica da Valorsul, na Amadora, registou entre a primeira e a segunda quinzena de Março uma quebra de 80%.

É na Amadora que é concentrada a recolha de resíduos dos restaurantes, cantinas e hotelaria, mas com estas actividades praticamente encerradas, também aqui não há restos de comida para recolher. Por isso a estação de tratamento reduziu a sua operação de dois para um turno.

Tal tem um impacto positivo nos custos variáveis da Valorsul, mas tem um impacto negativo nas receitas pois na Amadora os restos de comida, isto é, a matéria orgânica, são transformados em adubo natural e servem também para produzir energia eléctrica por via da captação de biogás. E menor produção destes produtos gera também menos receita.