Governo fixa preços do gás de botija para venda em Abril

Medida vai travar aumento das margens aplicadas pelos retalhistas. Garrafa de 13kg de GPL Butano custará 22 euros, no máximo.

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Fixação de preços de gás de botija tem carácter temporário SEBASTIAO ALMEIDA

Os ministérios do Ambiente e da Economia decidiram esta quinta-feira, por despacho, fixar temporariamente os preços de gás de petróleo liquefeito (GPL) engarrafado, o chamado “gás de botija”, uma medida que pretende travar o aumento das margens dos retalhistas, numa altura em que a matéria-prima está a descer nos mercados internacionais.

“O despacho institui a fixação de preços máximos para o GPL engarrafado, em taras standard em aço, durante o período de vigência do estado de emergência”, avançam os dois ministérios em comunicado, explicando que a necessidade dessa “actuação preventiva surge face ao aumento da margem de comercialização praticada pelos operadores retalhistas, em contraciclo com a evolução dos preços dos derivados nos mercados internacionais”.

Os preços máximos resultantes da aplicação deste despacho, a vigorar durante o mês de Abril, são de 22 euros para a garrafa de 13 quilogramas (kg) de GPL butano (tipologia T3), menos 1,692 euros/kg; de 22,24 euros para a garrafa de 11kg de GPL propano (tipologia T3), menos 2,022 euros/kg; e de 81,05 euros para a garrafa de 45kg de GPL propano (tipologia T5), menos 1,801 €/kg.

O despacho determina ainda que, “no caso de alterações relevantes das cotações internacionais, identificadas pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, poderão ser estabelecidos novos preços regulados a aplicar aos dias remanescentes do mês em curso, através de novo despacho”.

Actualmente há cerca de 2,6 milhões de famílias portuguesas que usam gás de botija, e o consumo, nesta fase de confinamento, deverá aumentar.

Esta terça-feira, a associação de defesa dos consumidores Deco defendeu uma descida do preço de venda do gás de botija nas próximas semanas, apontando para “valores inferiores a 20 euros, por garrafa, até finais de Maio”.

Analisando os preços, a Deco Proteste conclui que existe um desfasamento de cerca de dois meses entre a variação do preço de referência e o seu reflexo no valor pago pelo consumidor”.

Já o secretário-geral da Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (Apetro), António Comprido, referiu ao PÚBLICO que, mesmo com a queda da cotação do petróleo, o preço do butano “esteve a subir nos mercados internacionais até ao final de Fevereiro” e só começou a cair no início de Março, pois a procura deste produto é maior no Inverno.

E lembra que entre o momento de compra do produto, o enchimento das garrafas, o seu envio para os parques de armazenagem, a distribuição nos 50 mil pontos de venda e a compra “podem passar várias semanas”.