Petróleo recua para menos de 20 dólares por barril

Agência Internacional de Energia alertou que a procura mundial deverá registar redução de 9,3 milhões de barris por dia este ano, pressionando a negociação. Crude recuou a mínimos de 2002 em Nova Iorque.

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OPEP acordou com os aliados cortar oferta em 9,7 milhões de barris por dia. LUSA/CHRISTIAN BRUNA

Os contratos de entrega futura de petróleo medido pelo West Texas Intermediate (WTI), negociados em Nova Iorque, recuaram esta quarta-feira até 19,20 dólares por barril – o valor mais baixo em 18 anos, seguindo agora nos 20,00 dólares (menos 0,55%).

Os contratos futuros de Brent, com entrega em Junho, negociados em Londres e referência para a economia portuguesa, seguiam agora nos 28,06 dólares, a perder 5,20%.

Apesar da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e os seus principais aliados, como a Rússia, terem acordado na passada semana um corte nunca visto na produção mundial, de 9,7 milhões de barris por dia, a medida não foi suficiente para travar a queda da matéria-prima nos mercados internacionais.

Além do Fundo Monetário Internacional ter vindo, nas últimas horas, estimar que haja uma contracção da economia mundial de 3% em 2020, pior do que a de 0,1% no pico da crise financeira de 2009, a Agência Internacional de Energia (IEA na sigla inglesa) veio agora confirmar o cenário.

Citada pelo Financial Times, a Agência prevê que a procura de petróleo registe um decréscimo de 9,3 milhões de barris por dia em 2020, por comparação com 2019, mesmo que os confinamentos nacionais sejam levantados e as viagens voltem a ser permitidas normalmente.

Só em Abril, explica a autoridade energética, a procura pode recuar em 29 milhões de barris por dia – quase um terço da procura anterior à crise, de cerca de 100 milhões de barris por dia.

Não há nenhum acordo possível “que possa cortar a oferta na proporção que compense estas perdas da procura no curto prazo”, explicou a IEA citada pelo FT, ainda que os mais recentes acordos obtidos em seio da OPEP+ possam vir a reduzir o impacto no segundo semestre do ano, acrescentou.