PAULO PIMENTA

Portugal está a sair-se bem no travão à covid-19, mas sobretudo por más razões

O isolamento dos idosos portugueses e a manutenção de um interior despovoado ajudam a explicar o sucesso português no combate à propagação do coronavírus. As práticas culturais indoor e a adesão à “cultura de ecrã”, que vão beber à baixa escolaridade da população, podem ajudar a perceber, por outro lado, a eficácia do isolamento social português.

O isolamento dos idosos e a falta de coesão territorial, marcada por um arreigado despovoamento do interior, são algumas das especificidades portuguesas que, no actual contexto de pandemia, jogam a favor de Portugal no combate à propagação do novo coronavírus. Ao PÚBLICO, um historiador, um médico de saúde pública, um virologista, um sociólogo e um geógrafo admitem ainda que a baixa escolaridade da população, que favorece a cultura dos ecrãs e a consequente “domesticidade”, ajudam a explicar a manutenção de uma curva epidemiológica “achatada”, a par da menor propensão dos portugueses para o uso de transportes públicos e das descontinuidades territoriais que, como no Alentejo, criam “vazios” entre as aldeias, protegendo os idosos que lá vivem “e que não saem para lado nenhum”.