Em vésperas de novo estado de emergência, Marcelo agradece às forças de segurança

Comandante-geral da GNR afirma ter consciência de que “esta situação se pode prolongar”. Na quarta-feira, o Presidente da República começa a receber os empresários.

Marcelo recebeu chefes militares e das forças de segurança em Belém
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Marcelo recebeu chefes militares e das forças de segurança em Belém Nuno Ferreira Santos
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Marcelo recebeu chefes militares e das forças de segurança em Belém Nuno Ferreira Santos

O Presidente da República reuniu-se esta terça-feira com o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA) e com os chefes máximos da GNR e da PSP, a quem quis transmitir uma “mensagem de gratidão” pela forma como estão a desempenhar as suas funções no contexto do estado de emergência por causa da pandemia de covid-19. Num momento em que prepara o terceiro decreto do estado de emergência, para vigorar até início de Maio, quis agradecer-lhes pessoalmente, depois de há duas semanas ter colocado uma mensagem no site da Presidência no mesmo sentido.

À saída da audiência, o superintendente-chefe da PSP, Manuel Magina da Silva, deixou também uma mensagem de confiança aos portugueses, ao afirmar que os polícias estão muito “empenhados” e “motivados” no desempenho da sua função nesta crise e que existe uma “excelente colaboração” com a GNR que tem permitido complementarem-se no terreno.

 “As crises também têm efeitos positivos, aproximam pessoas e, neste caso, organizações e estamos a ter um relacionamento excepcional, a todos os níveis hierárquicos, com a GNR”, afirmou Magina da Silva. As duas forças estão a trabalhar muito de perto em alguns lugares, como nos Açores (S. Miguel) e na Madeira, disse, acrescentando que, se alguma destas forças tiver problemas com a sua capacidade operacional, terá o apoio da outra. “E se necessário for, não hesitaremos em pedir o apoio das Forças Armadas”, assumiu.

É isso que está previsto no documento da secretária-geral de Segurança Interna que estabelece os princípios orientadores da articulação entre as forças e serviços de segurança e as Forças Armadas e também nos decretos presidenciais do estado de emergência, cuja especificidade em termos de segurança é precisamente a prevalência das forças civis sobre as militares. Até agora as tropas têm desempenhado apenas funções de protecção civil, podendo vir a ser chamadas a coadjuvar as forças policiais se tal for necessário, sempre sob a direcção operacional das forças de segurança.

A PSP tem neste momento 130 agentes infectados e 290 em isolamento profiláctico, mas Magina da Silva afirma que a capacidade operacional da Polícia não está em causa: “Nem de perto nem de longe”. Desde logo, porque existe já uma “via verde” para as forças de segurança para realização de testes, o que tem permitido detectar cedo os casos de covid-19 e mandar para confinamento os polícias que contactaram com os infectados.

Mas também porque, neste momento, as principais necessidades de protecção individual dos 20 mil agentes da PSP estão garantidas. A todos foi distribuída uma viseira em policarbonato reutilizável, ficando as máscaras de protecção reservadas para os polícias que lidam com situações de maior risco de infecção, como os que fazem serviço nos hospitais ou lidam com doentes, por exemplo.

Antes, o comandante-geral da Guarda Nacional Republicana (GNR), Tenente-General Luís Botelho Miguel, também garantiu que a GNR tem o equipamento necessário “em número suficiente e que está a ser distribuído conforme as necessidades” e mantém toda a sua capacidade operacional, apesar de também haver militares infectados.

Tanto Magina da Silva como Botelho Miguel sublinharam que os portugueses em geral têm acatado as restrições de circulação, salvo algumas situações pontuais. “A generalidade da população está muito motivada e consciente e está a ficar em casa”, afirmou o comandante da Guarda.

Por seu lado, o CEMGFA, António Silva Ribeiro, limitou-se a dizer aos jornalistas que o Presidente da República o quis ouvir sobre “a participação e os contributos que as Forças Armadas têm dado” à execução do estado de emergência no quadro da covid-19.

Depois de ter recebido as forças de segurança, as duas centrais sindicais, de ter reunido com os representantes das Misericórdias e das IPSS que gerem lares de idosos e de ter falado com os presidentes dos cinco maiores bancos do país, o Presidente da República tem novos encontros marcados para quarta-feira à tarde em Belém (em vésperas de decretar a renovação do estado de emergência), desta vez com os administradores de duas das maiores empresas, a Jerónimo Martins e a Sonae. Na próxima semana deverá encontrar-se com a Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas e com dirigentes de outras grandes empresas cotadas do PSI20.

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