OMS adopta ferramenta feita em Portugal para planear resposta a covid-19

Apresentada pela Organização Mundial de Saúde e traduzida em português, inglês, espanhol, russo e árabe, esta ferramenta é gratuita e já está a ser utilizada por vários países.

Direcção-Geral da Saúde
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Paulo Pimenta

Foi concebida em Portugal, é gratuita, foi adoptada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e já está a ser utilizada por vários países. A Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) desenvolveu em conjunto com uma empresa de produtos tecnológicos (Glintt) e com a colaboração da OMS uma ferramenta gráfica que permite a decisores políticos e a especialistas em planeamento de cuidados de saúde a leitura de quantos recursos humanos e materiais um país dispõe e de quantos precisa de contratar em cada fase da pandemia de covid-19.  

De quantas camas vamos necessitar para doentes em unidades de cuidados intensivos ou em enfermarias? De quantos médicos e de que especialidades vamos precisar? Quantos ventiladores vão ser indispensáveis para os doentes em estado crítico? É a perguntas deste tipo que a Adaptt  Surge Planning Suport Tool permite dar resposta, explica Alexandre Lourenço, presidente da APAH . “Não é nada de complicado. É uma folha de Excel com um modelo epidemiológico que permite perceber qual é o impacto de medidas de mitigação na necessidade de recursos”, ilustra o também consultor da OMS.

Apresentada pela OMS esta quarta-feira e já traduzida em português, inglês, espanhol, russo e árabe, esta é uma ferramenta flexível, que permite aos utilizadores inserirem os dados epidemiológicos do seu país, as capacidades de camas de diferentes tipologias e de recursos humanos (usando os códigos da Organização Internacional do Trabalho), variarem os cenários de mitigação e adaptarem a resposta a diferentes taxas de ataque. 

Na prática, a ferramenta agora adoptada pela OMS permite, em simultâneo, evitar que um sistema de saúde possa entrar em colapso, por falta de recursos, ou o desperdício, por excesso de meios canalizados para o combate à pandemia em cada fase. “Pode servir mesmo para convencer um governo da importância da implementação de medidas”, acredita Alexandre Lourenço. E ainda vem perfeitamente a tempo, porque, mesmo que uma primeira vaga da epidemia já esteja em vias de ser ultrapassada em alguns países, o esforço tem de prosseguir, até porque podemos ter de enfrentar “segundas e terceiras vagas”. “Não podemos descurar o futuro”, sublinha.

Cedida gratuitamente, já está a ser utilizada por vários países na Europa, África e Ásia e foi disponibilizada ao Ministério da Saúde português em 30 de Março.