Rio assume ter “latitude” para viabilizar próximos orçamentos

Líder do PSD considerou que a solução do Governo para as aulas no terceiro período é “sensata”.

Rui Rio deixa em aberto solução de apoio ao Governo do PS
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Rui Rio deixa em aberto solução de apoio ao Governo do PS LUSA/ANTÓNIO COTRIM

O líder do PSD, Rui Rio, assumiu ter “latitude” para aprovar um orçamento suplementar e os orçamentos do Estado dos próximos anos, embora sem deixar de ser crítico. Em entrevista à SIC, nesta quinta-feira à noite, Rui Rio qualificou como “sensata” a solução do Governo para as aulas no terceiro período.

Apesar de salvaguardar que terá de conhecer a proposta do Governo sobre um orçamento suplementar, o líder social-democrata assumiu que “a latitude para aprovar é muito grande” e defende que é necessário o Estado ter um papel “muito forte”, observando que agora até vê neoliberais “a pedir subsídios” ao Estado.

A mesma atitude colaborativa é alargada aos próximos orçamentos do Estado: “Os [orçamentos] de 2021, 2022 e 2023 vão ser muito condicionados por aquilo que estamos a passar (…) Vamos ser críticos, mas vamos ter uma latitude muito grande”.

Rui Rio deixa em aberto eventual apoio do PSD ao Governo PS, minoritário, escudando-se na ideia de que o seu empenho é “servir o país”. Questionado sobre o significado da expressão Governo de salvação nacional, que admitiu há duas semanas à RTP, Rui Rio disse haver “confusão” em torno das suas afirmações. “Eu não estou a pensar em formas de governo, estou a pensar na palavra salvação. O Governo que estiver em funções vai ser de salvação, Portugal vai ficar numa situação económica tão difícil que a lógica a seguir é uma lógica de salvação nacional. O Governo, seja ele qual for, até pode ser o mesmo, como eu disse”, afirmou.

O líder do PSD foi, depois, instado a esclarecer se estaria a afastar de um Governo de bloco central. “Nem estou a afastar nem a pensar nisso. Isso é uma solução sempre contra-natura”, disse. Questionado sobre está disponível para dar apoio ao Governo, Rio disse apenas que está disponível para “servir o país”. “Neste momento não estou em Governo nenhum, mas estou a dar uma ajuda ao país”.

Relativamente à solução apresentada esta quinta-feira pelo Governo para o terceiro período lectivo, Rui Rio considerou ser “sensata”, defendeu que os alunos têm de “ter aulas” e “também de ter avaliação” e rejeitou “passagens administrativas”. O líder social-democrata remeteu para daqui a três semanas uma posição mais concreta sobre as aulas para os estudantes do ensino secundário. 

Depois de ter escolhido o choque fiscal como uma das principais bandeiras na campanha para as legislativas, Rui Rio assumiu que, caso fosse primeiro-ministro, “era difícil cumprir a promessa”, já que a proposta “assentava no crescimento económico” e neste momento há “decréscimo do PIB”. “A folga que tínhamos desenhado não existe”, reconheceu.

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