Portugal tem um “mapa de risco” da covid-19

Investigadores do Instituto Superior Técnico aplicaram um modelo de avaliação de risco da covid-19 no país e todos os dias actualizam os dados do mapa com a informação divulgada pela Direcção-Geral da Saúde.

Mapa de risco com os dados divulgados esta quarta-feira pelas autoridades de saúde
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Mapa de risco de infecção com os dados divulgados esta quarta-feira pelas autoridades de saúde DR

Além de todos os modelos, projectos, projecções, interpretações e cálculos que resultam do esforço de inúmeros investigadores portugueses que se estão actualmente a dedicar à covid-19, foi publicado no início desta semana um mapa de risco da infecção em Portugal que é actualizado diariamente. É o resultado de um trabalho de uma equipa de investigadores do Instituto Superior Técnico (IST) que quer ajudar a monitorizar a evolução do número de pessoas infectadas por município, numa ferramenta que poderá ser útil para a tomada de decisões pelas autoridades de saúde e também como fonte de informação para outros projectos de investigação.

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O investigador Amílcar Soares Manuel Gomes

“O mapa dá-nos a taxa de infecção e os valores por habitante e também apresentamos um mapa da incerteza associada”, esclarece Amílcar Soares, professor do IST especializado em geoestatística e um dos responsáveis pelo projecto do Centro de Recursos Naturais e Ambiente (Cerena)​. O modelo não foi concebido para apresentar a probabilidade do risco de contágio, uma vez que isso implicaria um processo de cálculo mais complexo, com a inclusão de várias variáveis e condicionantes.

Em vez disso, apresenta-se uma ferramenta simples e útil que “apenas” reflecte os dados sobre a epidemia que já são conhecidos e que vão sendo divulgados pelas autoridades de saúde todos os dias. “O que temos aqui são imagens diárias do risco de infecção com base apenas no número de infectados, é um instrumento de gestão do risco de infecção e da incerteza associada”, sublinha o investigador.

No site há vários mapas que podem ajudar as autoridades de saúde a acompanhar a epidemia no país e também a adoptar determinadas estratégias preventivas, como isolamento de algumas áreas onde o risco seja considerado elevado. “Numa segunda fase, quando for preciso testar a imunidade, os mapas também podem ser preciosos para definir quem vai ser testado e para decidir onde se deve testar mais”, acrescenta o investigador do IST.

O risco surge marcado por cores num dos mapas, sendo o vermelho o mais alto, seguidos dos azuis, verdes e amarelos. E o risco é associado à dimensão da população em causa. Entre outras pistas, Amílcar Soares, destaca por exemplo que o mapa nos mostra uma “mancha de risco médio/alto no eixo entre Lisboa e Badajoz”. Não será coincidência o facto de existir precisamente nesta zona um auto-estrada que acompanha a mancha.

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Mapas sobre a incerteza associada ao risco CERENA

O investigador do IST arrisca afirmar que poderemos estar a ver o rasto de uma viagem do transporte da infecção através da circulação nessa via rodoviária e ao longo dela através das paragens feitas no caminho entre Espanha e a capital de Portugal. Mas, Amílcar Soares apressa-se a concluir que para tirar conclusões com mais precisão “será preciso chamar os epidemiologistas” a discutir o assunto.

Nos próximos tempos, com um reforço da equipa que deverá passar a incluir mais valência (nomeadamente na área da epidemiologia e informática), o modelo poderá vir a crescer e “incorporar” outros factores como a questão da mobilidade ou dos meios disponíveis no terreno, como a localização de centros de saúde ou hospitais.

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