Empresa de Famalicão cobre necessidades do SNS produzindo 12 mil zaragatoas por hora

Material necessário aos testes para a covid-19 vai ser fabricado por uma empresa de Famalicão, na sequência de um projecto concebido pela Universidade do Algarve. A iniciativa vai eliminar a dependência de zaragatoas face ao exterior.

Foto
Miguel Manso

A partir de um modelo concebido pelo centro académico clínico da Universidade do Algarve, a Hidrofer, grupo empresarial de Vila Nova de Famalicão especializado em artigos de higiene individual como cotonetes, adaptou a estrutura de produção de forma a produzir, numa hora, um mínimo de 12 mil zaragatoas (objectos semelhantes a cotonetes, que servem para retirar amostras das fossas nasais). “De momento, podemos produzir entre 200 e 300 zaragatoas por minuto. Se produzirmos 200 por minuto, dá um total de 12 mil por hora e de 120 mil em cada 10 horas”, adiantou ao PÚBLICO o empresário Carlos Alberto Silva, apesar de se prever, para já, uma produção diária na ordem das 50 mil unidades.

Ainda à espera da validação definitiva pelo Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes, em Lisboa, as 12 mil zaragatoas que podem ser fabricadas numa hora são as mesmas 12 mil que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) precisa diariamente para os testes de detecção do novo coronavírus (SARS-CoV-2). “Se as zaragatoas forem aprovadas, o problema em Portugal está mais do que resolvido. O país gasta 12 mil por dia”, acrescentou o proprietário de um grupo que, em 2019, registou um volume de negócios de cerca de 15 milhões de euros.

Responsável por uma tarefa que pode aumentar a frequência dos testes, a empresa recebeu, nesta quarta-feira, três ministros: Ana Mendes Godinho (Trabalho, Solidariedade e Segurança Social), Ana Abrunhosa (Coesão Territorial) e Manuel Heitor (Ciência, Tecnologia e Ensino Superior). O responsável pela pasta da Ciência afirmou ao PÚBLICO que a parceria entre a Hidrofer, o centro académico clínico do Algarve – Algarve Biomedical Center (ABC) - e o Instituto Superior Técnico (IST), apoiada institucionalmente pela Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, acelerou o processo de fabrico das zaragatoas. “São muito mais complexas do que um cotonete. Requerem bastante conhecimento intrínseco e têm de seguir as normas europeias”, explicou.

A partir da investigação do ABC, a Mark 6 Prototyping startup ligada à Universidade do Algarve, ainda produziu cerca de 700 zaragatoas, mas a “falta de capacidade industrial”, sublinhou Manuel Heitor, originou a parceria com a Hidrofer, empresa com cerca de 130 trabalhadores.

O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior sugeriu ainda que a capacidade produtiva da Hidrofer, superior às necessidades do SNS, pode transformar Portugal num exportador de zaragatoas, sempre “uma parte crítica” dos testes relativos a um coronavírus que, até agora, infectou quase 1,5 milhões de pessoas e causou a morte a cerca de 82 mil.

A exportação, porém, ainda é uma realidade incerta para o líder da Hidrofer, já que a principal intenção é a de “resolver o problema do país”. A adaptação das máquinas, explicou Carlos Alberto Silva, obrigou a empresa a “sacrificar certos produtos” que, mesmo nesta fase, poderiam ser vendidos. O investimento futuro em zaragatoas vai, por isso, depender da gravidade e da duração da pandemia. “Se continuarmos a ser solicitados, poderemos colocar este produto na nossa comercialização digital”, disse.

Sugerir correcção