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Singapura converte parques de estacionamento em quintas urbanas para aumentar produção alimentar

A cidade-estado vai utilizar o pouco espaço urbano disponível para produzir localmente e diminuir a enorme dependência das importações.

A pandemia do novo coronavírus está a fazer com que alguns países tenham de procurar novas formas de alimentar a população. Em Singapura, indica a Reuters, apenas 1% do território é usado para agricultura e só 10% dos produtos são cultivados localmente. Assim, o país arranjou uma forma inovadora de produzir bens alimentares.

Esta quarta-feira, 8 de Abril, foi anunciado que os telhados de parques de estacionamento vão ser convertidos em quintas urbanas. Em comunicado, as autoridades apontam que “a produção local de alimentos irá mitigar a dependência das importações e irá permitir uma rede de segurança caso as cadeias de abastecimento alimentares sejam prejudicadas”.

Há o perigo de a parca agricultura do país, ameaçada pelas alterações climáticas, não conseguir responder ao crescimento populacional do país. A criação de quintas urbanas também procura responder a estas necessidades, já que apenas 1% do território nacional é usado para agricultura e os custos de produção são os mais altos de todo o Sudeste Asiático.

Além disso, não há simplesmente espaço para mais. Como relatava a Reuters em Maio de 2019, os camarões são produzidos em laboratórios e os vegetais são plantados em varandas de escritório. Os habitantes só não produzem mais porque há uma enorme escassez de espaço para tal.

A aposta ecológica não é nova. Para fazer face à elevada densidade populacional — vivem cerca de 5,6 milhões de pessoas numa ilha com apenas 724 quilómetros quadrados — a cidade-estado de Singapura plantou mais árvores que qualquer país no mundo, apesar de ser maioritariamente composta por arranha-céus. Um terço do país é coberto por árvores e a maioria dos hotéis tem jardins nos seus telhados.

Além da criação de quintas urbanas em parques de estacionamento, o Governo anunciou que irá financiar em 22 milhões de dólares a produção de ovos, vegetais e peixe. As autoridades esperam acelerar a produção alimentar nos próximos seis meses a dois anos.