Mercado nocturno Ratchada, Banguecoque, Tailândia

O antes e o depois de um mundo que vive em casa por culpa da covid-19

O surto de coronavírus atingiu todos os continentes — e os países estão fechados em casa para o conter. De Espanha à Tailândia, dos Estados Unidos aos Emirados Árabes Unidos, do Paquistão à África do Sul, estas imagens mostram o antes e o depois de um mundo em isolamento.

As imagens podem parecer distópicas e antagónicas — mas são poucos os dias que as separam. Captadas pela Reuters, as fotografias mostram como vivem cidades de todo o mundo, numa altura em que a pandemia de covid-19 já chegou a todos os continentes: o número de casos confirmados ultrapassou o milhão e há mais de 70 mil mortes provocadas pelo vírus.

Parque Ueno, Tóquio, Japão

Espanha, Japão, África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Iraque e muitos outros países têm visto as suas ruas vazias, depois de, numa tentativa de conter o surto de coronavírus, a população se ter fechado em casa. 

Aeroporto de Najaf, Iraque

Em Banguecoque, na Tailândia, o mercado nocturno de Ratchada está deserto. As tendas que normalmente enchiam o recinto de luz e movimento desapareceram. O estado de emergência entrou em vigor a 26 de Março e já se contabilizam mais de dois mil casos de infecção e 26 mortes. O país foi notícia depois de o rei Maha Vajiralongkorn – Rama X  ter viajado para a Alemanha para fazer quarentena num hotel, acompanhado de 20 mulheres. 

Mercado nocturno Ratchada, Banguecoque, Tailândia

Nos Estados Unidos, os números não param de subir. É o país com mais casos confirmados — mais de 350 mil — e, apesar da inicial desvalorização de Donald Trump, o Presidente norte-americano acabou por reconhecer a ameaça: “Vai haver muita morte, infelizmente”, afirmou este sábado, 4 de Abril. O isolamento foi prolongado, pelo menos, até Maio — o que significa que as ruas de Nova Iorque vão continuar desertas e que os carrosséis dos parques de diversão se vão manter parados durante tempo indefinido. 

Parque de estacionamento do parque Magic Kingdom, Orlando, Estados Unidos
Disney's Hollywood Studios, Orlando, Estados Unidos

O cenário é semelhante no Brasil. Jair Bolsonaro chamou “gripezinha” ao vírus e defendeu que o país mantivesse a normalidade. “O brasileiro tem que ser estudado. Ele não pega nada”, afirmou. E apesar de ter dado alguns passos com vista à contenção do surto — que já contagiou mais de 11 mil e matou mais de 500 —, rapidamente voltou ao ponto de partida, pedindo o fim de algumas restrições em curso. Ainda assim, os brasileiros têm saído das ruas: no Rio de Janeiro, as praias e ruas estão praticamente sem gente. Agora, vemos uma estação de metro em São Paulo deserta.

Estação de Metro em São Paulo, Brasil

Nos Emirados Árabes Unidos, os casos ultrapassam os dois mil. Há 11 mortes provocadas pela covid-19 e os números já tiraram as pessoas das ruas. No dia 5 de Março, um grande aglomerado de pessoas reunia-se em frente a um centro comercial no Dubai, num cenário de tranquilidade — apenas uma mulher usava máscara. No dia 23, pouco mais de duas semanas depois, o mesmo espaço está vazio. Em frente ao edifício mais alto do mundo, o Burj Khalifa, já não há, como habitual, quem o contemple. 

Centro comercial no Dubai, Emirados Árabes Unidos
Vista para o Burj Khalifa, no Dubai, Emirados Árabes Unidos

Os países africanos esperam que a experiência com outras epidemias os ajude a lidar com o surto. Com cerca de 1600 casos de covid-19 confirmados e 11 mortes provocadas pelo vírus, a África do Sul junta-se ao Egipto, Argélia e Marrocos no grupo de países mais afectados pelo coronavírus em África. Por isso mesmo, as ruas e as mesquitas do país esvaziaram-se. Os números ainda são baixos no continente africano, mas as autoridades sanitárias já avisaram que o pior pode estar para chegar. Há medidas drásticas a serem aplicadas nos países — algumas, com recurso a violência: há relatos de uso excessivo de força na África do Sul e no Quénia. 

Cidade do Cabo, África do Sul
Muçulmanos rezam à porta de uma mesquita na Cidade do Cabo, África do Sul

Também na Palestina, as mesquitas perderam os crentes e as rezas. Apesar do baixo número de casos, cerca de 250 e apenas uma morte, os palestinianos temem o surto: perante um sistema de saúde frágil, as várias horas do dia sem electricidade e a grande densidade populacional na Faixa de Gaza, o responsável do Ministério da Saúde de Gaza, Abdullatif al-Haj, já admitiu que estão “mais preocupados agora” do que estiveram “com os ataques militares israelitas dos últimos 20 anos”. “O nosso sistema de saúde é frágil, não vai conseguir sobreviver.”

Palestinianos rezam no Santuário de Al-Abbas em Gaza, Palestina

Na Síria, os casos de infecção demoraram a aparecer — ou a ser conhecidos. O país começou por proibir a entrada de estrangeiros advindos de países atingidos pelo novo coronavírus, numa tentativa de conter a pandemia. Agora, os casos confirmados são apenas 19 e há duas mortes registadas por covid-19. A ameaça agrava-se nas zonas de conflito e campos de refugiados que existem no país: “Temos populações vulneráveis em campos de refugiados e bairros de lata nos arredores dos grandes centros urbanos”, disse à Reuters o representante da Síria na Organização Mundial de Saúde, Nima Saeed Abid.

Mercado de Hamidiyya, Damasco, Síria

São mais de 3700 os casos confirmados no Paquistão e 53 mortes por covid-19. Neste país, 210 milhões de pessoas receberam ordem para ficar em casa. Também o primeiro-ministro paquistanês Imran Khan tinha demonstrado dúvidas em relação à ameaça que o vírus representava: “Se se fecharem as cidades, salvamos as pessoas do coronavírus por um lado, mas deixamo-las morrer de fome, pelo outro”, disse, dias antes de dar ordem para que a população ficasse em casa. 

Estação de Cantonment, Carachi, Paquistão

Por fim, as imagens da Europa. Espanha, o segundo país com mais casos de infecção — tendo já ultrapassado Itália —, conta mais 135 mil casos de covid-19 e mais de 13 mil mortes. Entre os dias 5 e 6 de Abril, morreram 637 pessoas — o número mais baixo desde 24 de Março. O que não significa que os esforços para conter o surto cessem. 

Ronda, Espanha

Na Alemanha, regista-se um abrandamento de novos casos e mortes — num país que desde o início do surto registou poucas mortes. Esta segunda-feira, 6 de Abril, foram diagnosticados menos casos novos (3677) e houve uma diminuição no número diário de vítimas mortais (92) em relação à véspera. Somam-se agora, no total, cerca de 100 mil casos e cerca de 1600 mortes. Mas Angela Merkel já avisou que é cedo para falar em alterações às restrições impostas para conter o surto. “O vírus não vai desaparecer”, respondeu numa conferência de imprensa esta segunda-feira. 

Portão de Brandemburgo, Berlim, Alemanha

Por cá, em Portugal, também os fotojornalistas do PÚBLICO Paulo Pimenta e Nuno Ferreira Santos captaram como vivia o Porto e Lisboa em estado de emergência. O país regista 11.278 casos positivos, mas o número de novas infecções e mortes voltou esta segunda-feira a atingir crescimento mínimo. Mas a lógica é a mesma: é preciso continuar a ficar em casa. Para (re)ver aqui (Porto) e aqui (Lisboa)

Praça do Comércio, Lisboa
Ribeira do Porto