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Acordo na Série A, Premier League indecisa

As ligas europeias estão a avançar em velocidades diferentes no que diz respeito aos cortes dos salários dos jogadores durante a pandemia.

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Ainda vai demorar muito tempo até a bola voltar a rolar na Premier League Reuters/Lee Smith

Com o futebol parado por tempo indeterminado, os clubes vão tentando reduzir os seus encargos com salários, mas nem todos andam à mesma velocidade. Em Itália, já há acordo para todos os clubes da Série A reduzirem os salários de jogadores e treinadores das equipas principais em um terço da remuneração anual caso “a actividade desportiva não seja reatada esta época” ou de um sexto se os jogos da presente temporada “forem retomados” nos próximos meses. A decisão foi tomada por unanimidade e veio na sequência da iniciativa da Juventus, que acordou uma redução salarial dos seus jogadores num montante global de 90 milhões de euros.

A decisão da Série A é, para já, única em termos de acordo para redução de salários de jogadores e equipas técnicas no futebol europeu, sendo que esta não é uma decisão pacífica entre todas as partes - a Associação Italiana de Jogadores descreveu este acordo como “vergonhoso e inadmissível”. Tirando casos pontuais de clubes e outras acções individuais, nenhuma das grandes ligas apresentou, para já, um acordo global. Na Premier League inglesa, por exemplo, os clubes têm um plano concertado para reduzir os salários dos jogadores em 30 por cento, mas não há qualquer entendimento com os representantes dos jogadores.

Já houve cinco clubes da Premier League a avançar para layoff de trabalhadores que não seja jogadores (Newcastle, Tottenham, Bornemouth, Norwich e Liverpool), mas, pelo menos um, já voltou atrás perante a chuva de críticas - o Liverpool, um dos clubes mais ricos do mundo, voltou atrás na decisão, pediu desculpa e diz que vai procurar “formas alternativas” para pagar aos empregados.

Na Alemanha, muitos clubes da Bundesliga anunciaram reduções nos salários dos jogadores, sendo que muitos deles já voltaram aos treinos em condições controladas - o Bayern, por exemplo, foi um dos que voltou aos treinos nesta segunda-feira, depois de ter anunciado um corte de 20 por cento nos ordenados dos jogadores. Em França, pelo menos dois clubes, o Marselha e o Lyon, aproveitaram o regime de layoff para o Estado contribuir no pagamento do salário dos jogadores.

Em Espanha, também não houve uma posição conjunta, mas já três clubes tiveram autorização do governo para acederem à ERTE (Expediente de Regulação Temporária de Emprego): Barcelona, Espanyol e Alavés, e outros estão a ser avaliados (Atlético Madrid). No caso de Barça e Atlético, ambos anunciaram redução de salários dos jogadores em 70 por cento.

No resto da Europa, há relatos de vários outros clubes que avançaram para layoff. Na Bélgica, o Standard Liége foi um deles e um dos jogadores atingidos foi o avançado português Orlando Sá. Em declarações à Lusa, o jogador de 31 anos disse que estava disposto a abdicar de um mês de salário, mas que o clube avançou para o layoff por ele e outros na mesma situação não terem aceitado um corte de 90 por cento. Também em Israel, Polónia e Turquia há casos, segundo o PÚBLICO apurou, de jogadores portugueses em layoff ou com cortes salariais.

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