Jovens suspeitas de desmembrar amigo no Algarve presas preventivamente em Tires

As suspeitas, de 19 e 23 anos, cumprem período de quarentena em Tires, mas depois deverão ser transferidas para a prisão de Odemira. A Policia Judiciária já localizou os pés e os braços de Diogo Gonçalves.

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A invesigação deste crime está a cargo da Directoria do Sul da Policia Judiciária fau fabio augusto

As jovens suspeitas de matar e desmembrar Diogo Gonçalves, de 21 anos, no Algarve, foram sujeitas à medida de coacção mais gravosa, a prisão preventiva, depois de terem sido presentes na sexta-feira ao Tribunal de Portimão.

Os contornos do crime, o perigo de fuga e o impacto que tem na sociedade, uma vez que os três, vitima e suspeitas, eram conhecidas no meio onde residiam e trabalhavam, contribuíram para que o tribunal decidisse aplicar esta medida de coacção. As duas jovens foram detidas pela Polícia Judiciária (PJ), na quinta-feira, por suspeitas de homicídio qualificado e profanação de cadáver.

Ao que o PÚBLICO apurou, as suspeitas foram levadas para a prisão de Tires, no concelho de Cascais, onde vão cumprir um período de quarentena de 14 dias, sendo depois transferidas para o estabelecimento prisional de Odemira. O cumprimento da quarentena é uma medida de prevenção por causa da pandemia da covid-19. Houve uma reorganização dos estabelecimentos prisionais e apenas alguns têm condições para que os presos possam cumprir a quarentena prevista para quando dão entrada no meio prisional.

As suspeitas, uma segurança de 19 anos e uma enfermeira de 23 anos, terão premeditado o crime. Esta é a convicção da Policia Judiciária (PJ), que conseguiu chegar às suspeitas, em apenas sete dias, apesar do período que o país vive a braços com uma pandemia que leva a planos de contingência e a trabalhar com algumas restrições.

“Em tantos anos de profissão, nunca tinha visto um crime com estes contornos e que envolvesse duas suspeitas tão jovens”, disse António Madureira, magistrado que dirige a Directoria do Sul da PJ, que está a levar a cabo a investigação deste crime.

Diogo Gonçalves terá sido asfixiado até à morte na sua própria casa, em Algoz, Silves. O jovem informático conhecia as suspeitas. Uma delas, a segurança, tinha trabalhado no mesmo estabelecimento hoteleiro onde este exercia funções de informático. Tinham uma relação de amizade próxima. 

As duas suspeitas teriam como objectivo apropriar-se dos cerca de 75 mil euros que o jovem informático tinha recebido de indemnização pela morte da mãe. A mãe morreu em Albufeira, no Algarve, na sequência de um atropelamento e fuga dos condutores, em Julho de 2016.

Aproveitando-se dessa proximidade, as duas suspeitas foram a casa do arguido, que se encontrava já em teletrabalho, devido à pandemia da covid-19. Depois de o matarem, terão transportado o corpo para a casa onde ambas viviam e, entre 20 e 25 de Março, desmembraram-no. Segundo a PJ, foi durante este período que as jovens se foram desfazendo do corpo em vários locais.

O corpo do jovem foi encontrado, sem braços nem pés, em Sagres, e a cabeça em Tavira, no dia 26 de Março. A cabeça foi encontrada por um casal de turistas franceses que passeava na zona do Pego do Inferno, naquele concelho algarvio.

No mesmo dia, mas a uma distância de quase 150 quilómetros, em Sagres, foi encontrado um corpo desmembrado, parcialmente enrolado em plástico, na base de uma arriba junto ao Cabo de S. Vicente. O carro do jovem também foi encontrado ali perto.

Os testes de ADN vieram a provar que as partes do corpo pertenciam à mesma pessoa, identificada posteriormente como sendo Diogo Gonçalves. Até sexta-feira, dia 3 de Março, ainda não tinha sido possível localizar os pés e os braços do jovem, mas ontem a PJ já tinha indicações de onde poderiam estar.

Terá contribuído para a PJ chegar às suspeitas o facto de estas terem feito levantamentos da conta de Diogo Gonçalves. Depois de detidas, colaboraram totalmente com a Policia Judiciária e confessaram o crime, assim como os seus contornos. Durante os interrogatórios, as jovens não demonstraram arrependimento e foram falando com algum distanciamento do acto praticado.

Os contornos do crime deixaram familiares e amigos da vítima em choque. Diogo Gonçalves é descrito pelos colegas de trabalho como um jovem simpático que nunca se metia em problemas. Era facto conhecido de quem o rodeava que tinha recebido uma indemnização e que tencionava comprar uma casa com esse dinheiro. Já as suspeitas, segundo a PJ, estavam “social e familiarmente inseridas” e não” tinham antecedentes criminais”.

A investigação ainda não está encerrada, mas a PJ acredita que não haverá mais envolvidos no crime.