Marcelo pede agilidade à banca e fala de ponderação na abertura das escolas

“É muito popular bater nos bancos”, comentou o Presidente, sublinhando que as entidades deram a volta com o apoio dos portugueses. Já sobre a reabertura do ano lectivo defendeu a necessidades de ponderação do risco de aumento da contaminação da covid-19.

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Marcelo na lezíria LUSA/MIGUEL A. LOPES

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, pediu, este sábado, agilidade à banca para que as linhas de crédito concedidas pelo Governo cheguem às empresas o mais rapidamente possível.

“Agilizar facilitar as linhas de crédito às empresas para as empresas ultrapassarem esta crise e os portugueses continuarem a ter emprego”, disse durante uma visita à sementeira do tomate na Lezíria Grande de Vila Franca de Xira.

“As empresas estão a fazer um esforço, os trabalhadores estão a fazer um esforço e é aí que entram as necessidades de financiamento da nossa economia”, disse o Presidente.

“A banca deve entrar nesta luta contra-relógio, a banca deve ao país um contributo muito importante durante anos, cada português deu o seu contributo, é a ocasião de [a banca] retribuir aos portugueses aquilo que fizeram e não pode demorar muito chegarem aos portugueses”, prosseguiu Marcelo.

O Presidente evitou comentar os juros anunciados por alguns bancos, de cerca de três por cento, para estes financiamentos de urgência à economia nacional em plena pandemia do novo coronavírus. “É muito popular bater na banca”, afirmou, para fazer memória.

“Entre 2016 [quando chegou à Presidência] e 2020 a banca teve o mérito de dar a volta à situação, com o apoio dos portugueses”, recordou. “Já ouvi vários bancos a [anunciar] que não vão distribuir dividendos, disseram que este ano não há nada para ninguém”, referiu abordando a presente situação.

Recorda-se que, nesta quinta-feira, na sessão parlamentar que aprovou a  extensão por mais 15 dias do estado de emergência,  o presidente do PSD, Rui Rio, desafiou os bancos a que em 2020 e 2021 não tivessem lucros ou distribuíssem dividendos.

Marcelo Rebelo de Sousa confirmou que esta segunda-feira vai manter uma videoconferência com os responsáveis dos bancos portugueses. Uma iniciativa com três objectivos: saber como as entidades estão, qual a sua posição perante as medidas do Governo e o que podem vir a fazer.

Marcelo secunda Costa

Já em relação a reabertura das escolas, o Presidente da República secundou a necessidade de ponderação da decisão de reabrir as escolas. Também Marcelo Rebelo de Sousa defende que a reabertura das escolas secundárias a 4 de Maio só será possível se a evolução da doença continuar a ser controlada.

O primeiro-ministro aponta 4 de Maio como a data limite para um recomeço das aulas presenciais que assegure o cumprimento com a “normalidade possível” do calendário escolar, designadamente no ensino secundário.

“As pessoas estavam à espera de um pico, tem sido mais um planalto”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, aos jornalistas. O aumento de casos diários tem vindo a reduzir – foi de 6,5% nas últimas 24 horas. “Esta evolução, a continuar assim, permitirá [ao Governo], no final do mês de Abril, tomar uma decisão” sobre a reabertura das escolas secundárias, disse o chefe de Estado. Mas, “se nas próximas semanas isto volta a crescer para os 15% ou 20%, já é uma temeridade estar a abrir”, avisa.

“Vamos acompanhando dia-a-dia a evolução [da covid-19 em Portugal]. Não podemos desarmar e temos de ir medindo. Por isso, fixámos o próximo dia 9 para tomar uma decisão [sobre a reabertura do ano lectivo] com a informação que na altura estiver disponível e com o horizonte que for possível alcançar”, esclareceu António Costa, na sexta-feira, em entrevista à Rádio Renascença.