Opinião

Cartas ao director

Ihor

Um viajante ucraniano foi morto dentro das instalações do Aeroporto de Lisboa sob vigilância das autoridades do SEF. Três inspectores pontapearam o indivíduo e deixaram-no para morrer numa sala escolhida a dedo e sem vigilância. Qualquer autoridade munida de armamento, impulsiona o homem (normalmente são mais os homens) a agir fisicamente, principalmente numa situação de submissão seja a negros, ciganos, ucranianos… pessoas indefesas! Sabemos que isso é transversal nas forças de segurança, mas é o Estado, não os profissionais, que detêm o monopólio da violência. E o Estado, como organização hierárquica, deve actuar imediatamente quando há este tipo de abusos, que neste caso, acabou em crime! Mesmo se as vítimas estão agitadas, os profissionais devem chamar seguranças com treino de imobilização, e não desertar à pancada! Houve uma denúncia anónima, no meio de tanto aparato no aeroporto e devia de haver mais. Nós como povo temos que começar a perder medo de denunciar e deixar o corporativismo doentio, que no limite, leva a morte de terceiros! O Ihor era um europeu que só queria uma vida melhor…

Cláudio Borges, Lisboa

O povo holandês não merece

Aquele povo simpático, da terra das tulipas e moinhos, não merece ter os ministros frios que apresenta. Tenho e tive muitos amigos dos Países Baixos, que se destacaram por ser extremamente gentis e, em muitos casos, cheios de nobreza e calor humano. É impossível esquecermos Van Gogh, Rembrandt e tantos outros, quando assistimos a semelhantes reacções egoístas incompreensíveis. Como é possível alguém de bom senso proferir as palavras geladas do antigo ministro das Finanças e do actual primeiro-ministro de tão lindo país?! Aplaudo a resposta rápida e contundente de António Costa. “Repugnante"? Claro. Obsceno.

José Sousa Dias, Ourém

Crise pandémica<_o3a_p>

<_u13a_p> A crise que atravessamos tem tido a terrível virtude de iluminar certos recantos obscuros do mundo em que vivemos, expondo mais claramente os traços de alguns seres que habitam na penumbra. Jair Bolsonaro e Donald Trump são dois exemplos concretos de como “o sono da razão engendra monstros”. Por outro lado António Costa tem-se mostrado um líder capaz de enfrentar a borrasca com razoável valentia e Rui Rio não envergonha ninguém nos tempos difíceis que vivemos. Alguém se recorda do modo soez como, no início desta crise, o deputado Ventura se tentou aproveitar da situação para insinuar que Marcelo Rebelo de Sousa estava a contribuir negativamente para o evoluir da situação, pretendendo acumular créditos para uma futura campanha presidencial?

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Quanto a mim, esta crise pandémica mostra, a quem o quiser ver, a supremacia absoluta dos que acreditam e praticam a Democracia sobre aqueles que se imaginam a ditar regras ao sabor das suas pulsões narcísicas. Todos nós imaginamos que ultrapassada esta crise o mundo vai mudar, só não sabemos em que sentido. Oxalá o vírus tenha, pelo menos, o condão de enviar certas ratazanas para o esgoto a que pertencem. <_o3a_p>

Rui Silvares, Cova da Piedade

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