Graça Fonseca garante que o futuro da cultura está a ser preparado

Em entrevista por Skype à SIC Notícias, a ministra da Cultura reafirmou que o sector “foi o primeiro a parar” e que, o mais depressa possível, “a cultura vai ter de ocupar as ruas, vai ter de ocupar as cidades”.

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Nuno Ferreira Santos

A ministra da Cultura, Graça Fonseca, afirmou este sábado que está a trabalhar para que o sector regresse à normalidade assim que possível, reiterando que estão a ser trabalhadas medidas de emergência e também planos de futuro. Disse-o numa entrevista por Skype à SIC Notícias, onde falou sobre o impacto da covid-19 na Cultura, prevendo um reforço dos espectáculos ao ar livre e na lógica de reagendamentos em vez de cancelamentos.

A ministra confirmou os números revelados esta sexta-feira pelo Sindicato dos Trabalhadores de Espectáculos — com 98% dos trabalhadores com trabalho cancelado por causa da pandemia, num prejuízo na ordem dos dois milhões de euros. “O sector da cultura foi o primeiro a parar”, disse, lamentando o cancelamento de muitos espectáculos, mas mostrando esperança no regresso à actividade. “As pessoas terão algum receio de voltar a salas”, no imediato, pela concentração. “Estamos a preparar o futuro também na perspectiva de podermos programar mais em espaço público”, apontando para cenários de ar livre no imediato, e não tanto em salas fechadas.

“A cultura vai ter de ocupar as ruas, vai ter de ocupar as cidades”, disse, mostrando esperança que se a cultura foi o primeiro sector a parar, “possa dar a alegria de podermos voltar a estar juntos” o mais rápido possível. Sobre os espectáculos salientou que “quando for possível o reagendamento” dos mesmos, “não há direito à devolução do valor do bilhete. Há uma substituição, o bilhete mantém-se válido”, explicou, numa alusão aos espectáculos de teatro, música, dança ou festivais que foram adiados ou cancelados. Segundo a ministra, o Conselho de Ministros aprovou um diploma onde “é dada preferência, se possível, ao reagendamento e não ao cancelamento”, sendo que no caso de cancelamento as pessoas têm direito ao reembolso do respectivo bilhete.

No campo das medidas imediatas a ministra destacou a linha de emergência de um milhão de euros, de forma a chegar “o mais rapidamente possível aos artistas e técnicos”, em paralelo com a linha de emergência de apoio às artes lançada pela Fundação Calouste Gulbenkian, e também o movimento de 30 empresas que “estão neste momento com o compromisso de mais um milhão de euros para investir em projectos culturais”, para lá do lançamento de uma “plataforma que junta artistas, técnicos e empresas“, realçando que o esforço de preparar o futuro tem de ser comum entre sector público, privados, organismos nacionais e locais.

A ministra remeteu ainda para a próxima semana a comunicação de medidas específicas para o sector livreiro e da comunicação social.