Covid-19: Google revela os novos hábitos dos portugueses

Os dados do Google sobre os movimentos das pessoas em todo o mundo mostram o que já se sabia: estamos a passar mais tempo em casa. A empresa não recomenda comparações directas entre diferentes países.

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A informação faz parte dos novos relatórios de mobilidade do Google que mostram informação de 131 países, incluindo Portugal Paulo Pimenta

Em Portugal, as visitas dos utilizadores a supermercados e farmácias desceram 59% relativamente a meados de Fevereiro, depois de uma subida repentina no começo de Março (altura em que se começava a discutir o encerramento das escolas).

A informação faz parte dos novos relatórios de mobilidade do Google que mostram informação de 131 países, incluindo Portugal, com base em mudanças nas movimentações dos utilizadores que partilham a sua localização com a empresa (uma opção disponível nas definições de privacidade do Google).

Foram analisadas as mudanças em seis categorias de locais: retalho e entretenimento (museus, centros comerciais, cinemas), supermercados e farmácias, parques e praias, estações de transportes públicos, locais de trabalho e zonas residenciais. Os hábitos dos utilizadores em Março são comparados com uma linha de base referente ao período de cinco semanas entre dia 3 de Janeiro e dia 6 de Fevereiro. O objectivo é ajudar a governos em medidas que ajudem a travar a propagação da covid-19.

O que diz o Google sobre os portugueses e o mundo?

Mais tempo em casa

O único gráfico que regista uma subida é dedicado às tendências de movimentações em zonas residenciais. Em média, os portugueses estão a passar mais 22% de tempo em casa desde o começo de Março. A subida foi gradual, com oscilações pontuais em períodos que parecem coincidir com o fim-de-semana (por exemplo, entre 28 e 29 de Março).

É nos Açores onde a subida apresentada é menor (18%). Já os distritos de Vila Real e Castelo Branco são onde as pessoas ficam mais tempo em casa (com uma subida de 33% e 31% face à norma), embora o Google note que não conseguiu recolher dados suficientes todos os dias naqueles distritos. O Google também não recomenda que se tirem ilações com base em localizações com diferentes características (por exemplo, entre uma zona rural e zona urbana).

PÚBLICO -
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(De cima para a esquerda) Tendências das deslocações dos portugueses nas áreas de retalho, supermercados e farmácias, praias e parques, estações de transporte, locais de trabalho e zonas residenciais

Idas a supermercados caíram

As visitas dos utilizadores do Google em Portugal a supermercados e farmácias desceram 59% relativamente a meados de Fevereiro, depois de uma subida repentina no começo de Março (altura em que se começava a discutir o encerramento das escolas). A tendência é generaliza no país, com Viana do Castelo e Bragança a reflectirem as maiores descidas (68% e 66% respectivamente)

Aumento do teletrabalho

Para ficar em casa, muitas pessoas mudaram para regime de teletrabalho. Isto é notório na diminuição de deslocações a locais de trabalho, que desceram 53%, ficando ao mesmo nível dos dias de fim-de-semana durante uma época normal. As mudanças entre os diferentes distritos rondam os três pontos percentuais, possivelmente devido ao encerramento nacional dos estabelecimentos de ensino, obrigando muitos encarregados de educação a ficar em casa para cuidar dos filhos.

Praias desertas, centros comerciais fechados

As deslocações para espaços como parques nacionais, praias públicas, marinas, parques para cães, praças e jardins públicos desceram 80% desde o início das medidas de isolamento social em Portugal. Estas visitas subiram ligeiramente no fim-de-semana de 14 e 15 de Março (sem se aproximarem dos valores em período normal). 

Deslocações a museus, bibliotecas e cinemas — espaços que estão actualmente encerrados — são a área em que as tendências de mobilidade dos vários distritos mais se aproximam. A nível nacional, a descida foi de 83% face ao período normal.

Estações de transporte

As deslocações a pólos de transporte como estações de metro, comboio e paragens de autocarros desceram cerca de 78% em todo o país relativamente a situações normais. O Google não conseguiu recolher informação suficiente sobre os hábitos dos utilizadores em Beja e Portalegre.

E o resto do mundo?

O Google não recomenda comparações directas entre diferentes países. “A precisão da localização e a compreensão de lugares categorizados varia de região para região, portanto, não recomendamos o uso desses dados para comparar alterações entre países, nem entre regiões com características diferentes (urbanas vs rurais)”, lê-se nos relatórios do Google.

De um modo geral, porém, embora o valor exacto das percentagens varie na Itália, Reino Unido, Espanha, EUA e Índia, as tendências são as mesmas com pessoas a passar mais tempo em casa e menos tempo em centros comerciais, e supermercados depois de uma subida inicial no começo da época de isolamento social generalizado.

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