Jerónimo Martins desconvoca assembleia-geral de accionistas

Reunião estava marcada para dia 16 de Abril, um dia antes do fim do actual prazo de vigência do estado de emergência. Accionistas não aderiram ao voto electrónico.

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A Jerónimo Martins vai distribuir 216,8 milhões de euros em dividendos Andreia Carvalho

A dona dos supermercados e hipermercados Pingo Doce anunciou esta sexta-feira que desconvocou a assembleia-geral (AG) de accionistas que estava agendada para dia 16 de Abril, véspera do fim do actual prazo de vigência do estado de emergência.

“Proceder-se-á à emissão de nova convocatória com vista à realização da assembleia-geral anual até ao dia 30 de Junho de 2020”, refere o comunicado enviado pela Jerónimo Martins à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Por causa da crise de saúde pública, o Governo alargou o prazo de realização das AG até ao final de Junho.

No comunicado, o presidente da mesa da AG da Jerónimo Martins, Abel Mesquita, explica que a decisão foi justificada pelo conselho de administração encabeçado por Pedro Soares dos Santos com “a situação excepcional ocasionada pela epidemia da doença covid-19” e a dificuldade em convencer os accionistas a enviarem os seus votos às propostas por email.

Recordando que o Governo “decretou novas e mais restritivas medidas de circulação das pessoas”, a empresa diz que tentou incentivar “os accionistas a exercerem o seu direito de voto por uma das vias alternativas à votação presencial, em especial a votação por correio electrónico”.

Porém, constatou que, até ontem, “data limite para o efeito”, vários dos accionistas que manifestaram intenção de participar neste encontro “não declararam pretender fazê-lo por correio electrónico”.

A empresa refere que a crise de saúde pública “torna especialmente difícil” aos accionistas e respectivos intermediários financeiros recolher e formalizar “a documentação necessária à credenciação e participação” na AG, e que recebeu “vários apelos” para que esta “não se realizasse na data prevista”.

Uma vez que “nesta fase, não se torna possível dispor e organizar, em tempo útil, os meios que assegurem o exercício do direito de voto durante a própria reunião através de meios telemáticos nos termos requeridos pela lei”, a AG fica assim desconvocada.

A desmarcação deste evento acontece quatro dias depois de a empresa ter assegurado ao PÚBLICO de que a data da AG se mantinha para dia 16, lembrando existirem “alternativas em relação à participação presencial dos accionistas” na AG que asseguram o exercício dos seus direitos de voto, como a votação através de correio postal ou através de correio electrónico.

Alternativas que aparentemente não motivaram todos os accionistas da empresa que é detida em 56,136% pela família Soares dos Santos através da holding holandesa Sociedade Francisco Manuel dos Santos BV.

A empresa assegurou ainda ao PÚBLICO que não vê razões para alterar a política de distribuição de dividendos. “A força do balanço de Jerónimo Martins permite-nos assegurar que o pagamento de dividendos relativos ao exercício de 2019 será feito em linha com a política de payout em vigor”, afirmou fonte oficial.

A Jerónimo Martins propôs aos seus accionistas o pagamento de 216,8 milhões de euros em dividendos, relativos ao exercício de 2019. O valor corresponde a um dividendo bruto de 34,5 cêntimos por cada acção.