Concluir o Parque das Nações vai custar 25,5 milhões de euros

Com a Jornada Mundial da Juventude a dois anos de distância, a Câmara de Lisboa aprovou o plano para a área que vai receber o evento, mas a pensar a longo prazo. Linha de eléctrico, pontes e uma escola estão previstos.

A zona está expectante há mais de 20 anos
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A zona está expectante há mais de 20 anos Rui Gaudencio

Estender o Parque do Tejo e do Trancão até ao limite do concelho, reabilitar a estação ferroviária de Sacavém, construir ciclovias, uma linha de eléctrico e duas pontes sobre o Trancão. São estes os objectivos de uma Operação de Reabilitação Urbana que a Câmara de Lisboa aprovou na semana passada para o topo norte do Parque das Nações.

O plano, que se prevê concluído daqui a oito anos, vai custar pelo menos 25,5 milhões de euros e será quase totalmente financiado pelo orçamento municipal. A excepção é a modernização da estação de Sacavém, que é responsabilidade das Infra-Estruturas de Portugal e deverá rondar os 1,5 milhões de euros.

Desde antes da realização da Expo-98 que está definido que o Parque do Tejo e do Trancão deve crescer até às margens deste último e aí interligar-se com o parque que a Câmara de Loures está a projectar para os antigos terrenos da Petrogal. A decisão de realizar ali a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), um evento católico que se espera que venha a atrair um milhão de peregrinos, veio trazer mais urgência às duas autarquias.

Ao delimitar uma Área de Reabilitação Urbana (ARU) num local em que os poucos edifícios são relativamente recentes e não precisam de obras, a câmara quer sobretudo ter nas mãos a arma legal que lhe permita ultrapassar burocracias mais facilmente.

O desafio maior a curto prazo, ali, é a estabilização e reabilitação “profunda” do aterro sanitário de Beirolas, por cima do qual vai nascer o novo parque verde. Ele ocupará uma parte substancial dos 92 hectares da ARU. Segundo o documento agora publicado em Boletim Municipal, a intervenção no aterro e a construção da primeira fase do que falta do parque deverão custar cerca de 6 milhões de euros.

Mas a fatia de leão do investimento vai para a criação da já anunciada linha de eléctrico entre Santa Apolónia e Sacavém, que dentro desta área rondará os 14 milhões de euros. “Esta nova ligação, que atravessa a área de intervenção entre os seus limites Sul e Norte, permitirá assegurar ligações rápidas e directas ao longo do corredor da frente ribeirinha oriental, ligando-se também às linhas Vermelha e Azul do metropolitano e com a linha  ferroviária nacional na Gare do Oriente e em Santa Apolónia”, lê-se no documento.

A sua concretização, no entanto, ainda não se vislumbra no futuro próximo porque a câmara tenciona primeiro levar a linha de eléctrico a Santa Apolónia a partir da Baixa e só depois ao Parque das Nações. Acontece que não vai fazer essa obra sem que esteja construído um dos dois grandes túneis de drenagem anunciados em 2015, cujo troço final é precisamente em Santa Apolónia.

Para a criação da linha de eléctrico “é necessário coordenar a sua entrada no concelho de Loures, por Sacavém, estruturando um nó intermodal de âmbito local e suburbano na Estação Ferroviária de Sacavém”, argumenta o relatório da ARU, pondo muito ênfase na reabilitação desta estação. Situado na linha do Norte e servido pelos comboios da linha da Azambuja, este é o apeadeiro ferroviário mais próximo da futura zona da JMJ e também a Câmara de Loures se tem batido para que tenha obras até ao arranque do evento.

Outra obra necessária para a JMJ é a construção de duas pontes sobre o Trancão – uma rodoviária e outra ciclo-pedonal. No plano apresentado ao Vaticano, o recinto do evento está localizado em ambas as margens, com palco do lado de Lisboa e as zonas de campismo e estacionamento do lado de Loures. Estas duas pontes, que a autarquia lisboeta se compromete a erguer, têm um custo estimado de quatro milhões de euros.

Não contabilizada no orçamento já disponível, mas prevista no documento está também uma escola EB 2/3 para um dos lotes vagos.

A delimitação da ARU e os termos da Operação de Reabilitação Urbana foram aprovados na câmara com a abstenção de PCP e BE e o voto favorável dos restantes partidos. Segue-se agora um período de consulta pública e, no fim, a assembleia municipal tem de pronunciar-se. Para já, todos os trabalhos da assembleia estão suspensos devido ao surto de covid-19.