Covid-19: Festival Internacional de Edimburgo e Fringe adiados para 2021

Os dois mega-acontecimentos artísticos que marcam o Verão da capital escocesa não se realizarão em 2020.

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Christopher Furlong/Reuters

O Festival Internacional de Edimburgo e o Festival Fringe, que como habitualmente deveriam ter lugar em Agosto na capital escocesa, foram adiados para 2021 devido às restrições sanitárias actualmente em vigor para responder à pandemia causada pelo novo coronavírus, anunciaram esta quarta-feira as respectivas organizações.

Numa mensagem publicada no site oficial do Festival Internacional de Edimburgo, Fergus Linehan, director do evento, lamenta o adiamento das centenas de apresentações de dança, ópera, cinema, conferências, música e teatro que estavam previstas no programa. “Teremos de enfrentar desafios mais importantes nos próximos meses, mas eu sei que o festival desempenha um papel central na vida cultural, social e económica de muitos na nossa cidade e no nosso país. Lamento muito que, desta vez, o espectáculo não possa continuar”, escreve Linehan, acrescentando que a organização está a “trabalhar de perto com a família de financiadores públicos, mecenas privados e parceiros comerciais [do festival] para garantir” a sua sobrevivência “neste período atribulado”.

“O Festival Internacional de Edimburgo nasceu da adversidade – de uma necessidade urgente tanto de reconectar como de reconstruir. A actual crise confronta-nos com um sentido de urgência similar. Vamos começar a trabalhar de imediato numa edição de 2021 que anime o nosso espírito e a nossa economia”, conclui.

Na mesma linha, a directora do Festival Fringe de Edimburgo, Shona McCarthy, anunciou o cancelamento dos espectáculos de milhares de artistas que deveria apresentar também este Verão, apontando, para a próxima edição, a data provisória de 6 a 30 de Agosto de 2021.

“As artes performativas têm um importante papel a desempenhar [nesta crise], fornecendo um prisma que nos permita processar e compreender os múltiplos traumas desta pandemia. A arte sempre ajudou a configurar e a reconfigurar o modo como nos pensamos, e irá agora contribuir para puxar os fios que nos unem como seres humanos numa experiência globalmente partilhada”, continua McCarthy na declaração que está disponível no site oficial do Fringe.

Ambos os responsáveis garantem o reembolso dos bilhetes, mas também apelam à possibilidade de, em alternativa, os portadores de ingressos os converterem em donativos para os artistas ou para as entidades culturais que estão por trás dos espectáculos cancelados.

Na sua mensagem, McCarthy sublinha que a decisão não foi tomada “de ânimo leve”, tendo resultado de um mês de auscultação das autoridades de saúde, dos residentes e dos artistas. A decisão acabou por ser a do cancelamento, porque “a saúde pública deve vir sempre primeiro”.

“Os nossos pensamentos estão com os muitos milhares de artistas, escritores, produtores e todos aqueles cujo trabalho ficou em suspenso”, acrescenta a directora. “Sabemos que esta decisão é difícil para muitos, mas saibam que continuaremos aqui para dar apoio no que pudermos, nos próximos meses”, conclui.