Há espécies de aves ligadas a habitats agrícolas em declínio, alerta SPEA

Houve um declínio de espécies insectívoras como o picanço-real, o abelharuco e a andorinha-das-chaminés, mas também das espécies granívoras, com destaque para pintassilgo, milheirinha e pardal-comum.

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Nuno Ferreira Santos

A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) alerta para o declínio de algumas espécies associadas aos habitats agrícolas, e diz ser necessário monitorizar eventuais impactos para a biodiversidade.

O alerta faz parte do último relatório do censo das aves comuns em Portugal, um programa de monitorização de aves comuns iniciado pela SPEA em 2004, que tem como objectivo dar a conhecer as tendências populacionais das aves comuns reprodutoras em Portugal.

No relatório, a que a Lusa teve nesta terça-feira acesso, salienta-se que de entre as espécies associadas aos habitats agrícolas há um declínio de espécies insectívoras como o picanço-real, o abelharuco e a andorinha-das-chaminés, mas também das espécies granívoras, com destaque para pintassilgo, milheirinha e pardal-comum.

“O declínio continuado de algumas espécies dos meios agrícolas, é um alerta para a necessidade de monitorizar eventuais mudanças que estejam a ocorrer no meio agrícola com impacto para a biodiversidade”, salienta a SPEA.

No relatório, a organização não-governamental de ambiente diz também que há espécies com populações estáveis (como o cartaxo ou o verdilhão) e que outras apresentam um crescimento moderado, como o estorninho-preto ou o trigueirão.

Quanto às espécies florestais a maior preocupação da SPEA vai para o picanço-barreteiro, que “apresenta um declínio acentuado”, tanto em Portugal como em Espanha (pela degradação do habitat e pela intensificação agrícola), mas também para outras espécies (como a cotovia-dos-bosques ou o chapim-real), com um “declínio moderado”.

De destaque ainda, no relatório, que a rola-brava aparenta estar em declínio moderado ao mesmo tempo que há um aumento acentuado do pombo-torcaz. A carriça e o chapim-carvoeiro também estão a aumentar.

“Com as actuais mudanças de larga escala, que incluem a intensificação agrícola e as mudanças climáticas, é de extrema importância conhecer as tendências populacionais actualizadas das aves comuns e possuir indicadores robustos de alterações ao estado geral do nosso ambiente”, afirma a SPEA.

No documento, a SPEA dá ainda conta da análise a espécies de outros habitats (como as que vivem nas cidades), dizendo que foram consideradas 21 espécies das quais 10 mantém uma tendência estável, sete uma tendência positiva, uma está em declínio e três têm tendência incerta.

No relatório são apresentadas tendências demográficas actualizadas de 64 espécies comuns em Portugal.

A SPEA trabalha na conservação das aves e dos seus habitats em Portugal. Faz parte de uma rede mundial de organizações de ambiente, a BirdLife International, que actua em 120 países.

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