Coronavírus: grávidas são grupo prioritário no acesso a testes de despiste

O parto deve ser feito em salas isoladas, idealmente de pressão negativa, com o menor número possível de intervenientes e o acompanhamento por terceiros não é recomendado. Os recém-nascidos devem ser todos testados.

Gravidez
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Nelson Garrido

As grávidas terão prioridade no acesso aos testes de despiste à covid-19, disse esta segunda-feira Carlos Veríssimo, do Colégio de Ginecologia e Obstetrícia da Ordem dos Médicos, em conferência de imprensa no Ministério da Saúde.

“Vamos testar mais. As grávidas são o grupo prioritário para testar, mesmo para as assintomáticas”, explicou Carlos Veríssimo, que esteve presente para explicar as recomendações para as grávidas que serão transcritas em normas a publicar em breve.

Admitindo que ainda se sabe pouco sobre a forma como a doença pode afectar grávidas e fetos, o especialista explicou que a experiência da China e Itália ajuda a perceber que o risco de infecção não parece ser maior para grávidas do que a para a população em geral, embora estas tenham depois outras limitações nos tratamentos.

Sobre a possibilidade de transmissão de mãe para o feto, Carlos Veríssimo afirmou que as evidências mostram que é rara. “Existe um caso de transmissão na China, mas segundo o conhecimento actual, é raro”, disse, tentando aliviar a preocupação das grávidas. 

O mais importante é que as grávidas continuem a ser vigiadas, salientou. “Devemos manter a vigilância recomendada pelos médicos, inclusivamente a realização de ecografias e outros testes. Mantemos as duas ecografias principais, a do primeiro trimestre e a do segundo trimestre”, afirmou. Mas devem evitar-se “deslocações desnecessárias aos centros de saúde, consultórios e hospitais” — e as indispensáveis deverão ser preferencialmente em transporte próprio.

Para as grávidas, a “palavra de ordem é contenção social”, o que significa que as mesmas terão que ficar em teletrabalho, explicou. 

A vigilância das grávidas infectadas também será feita no domicílio, sempre que possível. A evolução diária será feita através de teleconsultas. O médico explicou ainda que é necessário haver uma separação hospitalar, circuitos para quem seja diagnosticado com covid-19 e para quem não seja.

Partos de grávidas infectadas deverão ser feitos em salas isoladas

No que se refere aos partos, Carlos Veríssimo indicou algumas das medidas a tomar. “O parto deve ser feito em salas isoladas, idealmente de pressão negativa. Os profissionais devem estar devidamente equipados com equipamentos de protecção individual. Deve haver circuitos isolados (separação das grávidas infectadas das não infectadas). Tem de haver o menor número possível de intervenientes no parto”. 

O especialista admitiu ainda que algumas medidas preconizadas pela Ordem podem ser polémicas: “O acompanhamento por terceiros não é de todo recomendado. A epidural é fortemente recomendada nestas situações porque queremos evitar uma anestesia geral. Devemos testar todos os recém-nascidos e devemos tomar algumas atitudes, que são polémicas, nomeadamente a separação mãe e filho, sem contacto pele a pele, e a não recomendação do aleitamento materno.” 

O médico acrescentou ainda que estas medidas são analisadas caso a caso. 

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