Ministra da Saúde preocupada com lares. DGS actualiza orientação

Somam-se os casos de utentes de lares infectados e os casos de mortes de covid-19. A Direcção-Geral da Saúde actualizou a orientação que tem um guia de apoio à gestão organizacional destas instituições e a ministra deixou vários conselhos sobre os procedimentos a adoptar.

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Transferência de idosos do Lar da Nossa Senhora das Dores para vários hospitais do Porto e Braga LUSA/PEDRO SARMENTO COSTA

“Lamento profundamente”, disse este domingo o presidente da Câmara de Vila Real Rui Santos, referindo-se à morte de utente do Lar de Nossa Senhora das Dores infectada pelo novo coronavírus. Só ali foram detectados 88 utentes e funcionários com covid-19 em 99 testes realizados. Não é caso único. Horas mais tarde, o presidente do Asilo de S. José, em Braga, confirmava à Lusa que três idosos que ali residiam morreram nos últimos dias e que outros 23 utentes estão infectados.

“Neste domingo, a nossa preocupação central foca-se nas estruturas residenciais para idosos, sejam elas unidades de cuidados integrados pertencentes à rede nacional, sejam lares privados”, afirmou a ministra da Saúde na conferência de imprensa. A Direcção-Geral da Saúde (DGS) actualizou a orientação que tem um guia de apoio à gestão organizacional destas instituições.

Não existem números oficiais de quantas das 119 mortes registadas até agora são de pessoas que estavam em lares ou unidades de cuidados continuados. Há vários dias que o PÚBLICO questiona os ministérios da Saúde e do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social sobre quantos lares e unidades continuados têm casos de covid-19, o número de utentes e profissionais infectados e quantos faleceram. Mas ainda não obteve uma resposta.

Na conferência de imprensa, Marta Temido afirmou que “é urgente que todos se preparem e respondam disciplinadamente perante um caso suspeito”. “É preciso que [as direcções técnicas] conheçam, estudem e apliquem as orientações da DGS”, disse a ministra.

A orientação da DGS para as estruturas residenciais de idosos foi actualizada na sexta-feira. Recomenda que os responsáveis assegurem que os profissionais estejam devidamente informados sobre a doença e sobre os planos de contingência da instituição. Relembra as regras de etiqueta respiratórias e as regras de lavagem das mãos e que deve ser evitada a “concentração de residentes em espaços não arejados, sempre que possível”. O ar das salas deve ser renovado pelo menos seis vezes por hora.

Deixa também uma lista de procedimentos de apoio à gestão organizacional, um guia “com sugestões para ajudar a identificar as necessidades das instituições na elaboração de um plano de contingência”. Dão indicações para prever o absentismo dos profissionais, que podem também ser motivados por doença mas também pelas medidas de contenção como o encerramento das escolas.

A entidade deve “identificar funcionários, colaboradores e outros recursos essenciais necessários para manter a instituição em funcionamento durante uma eventual pandemia” e “equacionar a preparação de uma lista adicional de funcionários e colaboradores de apoio (contratados, funcionários com outras competências, reformados) e formá-los para desempenharem tarefas essenciais ou prioritárias, em caso de necessidade”. Deve ponderar-se “a necessidade de flexibilizar o local e o horário de trabalho”.

É preciso “disponibilizar equipamentos, suficientes e acessíveis em todos os locais da instituição, para reduzir a disseminação da infecção”, diz ainda a orientação. Refere-se a “equipamento para lavar as mãos”, “toalhas de papel e receptáculos para a sua eliminação”, “máscaras cirúrgicas” para quem desenvolva sintomas.

“Solidariedade entre todos é essencial”

Muitas das indicações da orientação – preventivas e relacionadas com casos positivos - foram dadas pela ministra na conferência de imprensa: camas, cadeirões e as cadeiras com um intervalo de pelo menos um metro e meio, salas e os refeitórios usados “por turnos, em horários desencontrados” para se manter a distância de segurança, circulação dos utentes limitada “para minimizar o risco de transmissão”.

“Também preventivamente é muito importante que as direcções técnicas destas estruturas residenciais para idosos garantam que os trabalhadores se encontram organizados em equipas, sem contactos entre si, com atendimento dedicado a grupos de utentes”, recomendou a ministra, referindo que no início de cada turno os trabalhadores devem medir a febre. Tem de haver um “esforço redobrado de higienização de objectos, superfícies e locais”.

Devem “de imediato” isolar qualquer pessoa com febre ou tosse ou falta de ar, o doente e profissional que o acompanha devem colocar máscaras e a direcção deve contactar “um médico para avaliação clínica”. É a partir daqui que se inicia a intervenção da autoridade de saúde local, a quem cabe agilizar o contacto com o presidente da câmara municipal, com a segurança social, o director executivo do Agrupamento de Centros de Saúde e o presidente do conselho de administração do hospital da área.

“Os casos confirmados para covid-19 e os casos não confirmados têm de ser fisicamente separados”, disse a ministra, explicando que se no lar não for possível, terão de se encontrar locais alternativos. E deixou novamente um apelo aos voluntários “que se possam oferecer, [para que] seja pessoal com alguma formação na área da saúde, profissionais de saúde ou pessoas de suporte.”

“A solidariedade entre todos é essencial e não podemos deixar ninguém à sua sorte”, afirmou Marta Temido.