Rio admite necessidade de ponderar Governo de salvação, no futuro

Líder do PSD disponível para viabilizar orçamento complementar mas sem “passar cheque em branco”.

Rui Rio manteve a ideia de fazer uma oposição de "colaboração"
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Rui Rio manteve a ideia de fazer uma oposição de "colaboração" Paulo Pimenta

O líder do PSD, Rui Rio, admitiu que, no futuro, quando a economia for a prioridade, a sociedade portuguesa vai ter de ponderar a “composição de um Governo de salvação nacional”.

Em entrevista esta noite, na RTP1, Rui Rio foi questionado sobre a necessidade de um Governo de salvação nacional. “Quando vier a economia para o primeiro lugar, estou convencido de que a sociedade vai ter de debater a composição de um Governo de salvação nacional. Porque um Governo que vier – pode ser o mesmo – tem de ser de salvação nacional, pelo que se vê que vai durar, vai fazer sentido pensar sobre isso”, respondeu, sublinhando que agora “não é prioridade pensar sobre isso”.

Rui Rio manteve a ideia de afastar a “lógica de oposição ao Governo”. “Neste momento fragilizar o Governo é fragilizar o nosso combate”, disse, defendendo uma “oposição ao vírus e não ao governo”.

O líder do PSD rejeitou a ideia de vir a existir um orçamento rectificativo mas sim complementar. “Este [orçamento] é para acrescentar e forte. É absolutamente inevitável”, disse, recusando no entanto viabilizar sem ver a proposta: “Não vou passar cheques em branco ao Governo”.

Apesar da atitude de “colaboração”, o líder social-democrata reconheceu que a actuação do Governo teve “falhas”, o que aconteceu na falta de material de protecção para os profissionais de saúde e na intervenção nos lares de idosos.

As críticas – defendeu – podem ser feitas privadamente e Rui Rio admitiu que as transmitiu directamente ao primeiro-ministro e que também tem sido usado para esse fim o canal entre o grupo parlamentar e o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares. O balanço fica para mais tarde e é nesse momento que Rui Rio espera que os portugueses também tenham uma palavra a dizer. “É o próprio país que cairá em cima do Governo pelas falhas que o Governo tiver. Lá à frente vai haver um balanço, lá estaremos nesse balanço, e eu lá estarei”, disse na entrevista que concedeu na sede do PSD Porto.

Considerando que as medidas sanitárias estão equilibradas com as da actividade económica, Rui Rio sublinhou que os subsídios e apoios que o Estado está a conceder neste momento sai dos cofres do Estado e terá de se pagar no futuro. “Todo este dinheiro, o Estado vai pagar e o Estado somos nós. Tem de ser gasto mas que nãos se entre na loucura de ‘mais, mais e mais’ porque lá à frente tem de se pagar”, disse, admitindo que o Estado vai ter de se endividar para garantir o rendimento das famílias. Uma das medidas de apoio que adiantou – e que estará no pacote que o PSD vai propor - é a de abranger os sócios-gerentes das empresas que entram em lay-off. “O sócio de uma pequena empresa é algum capitalista”, questionou. 

Relativamente à questão dos coronabonds – palavra que considerou “politicamente interessante”, Rui Rio considerou que o discurso do ministro holandês das Finanças “não é aceitável”. E alertou para os riscos que a Europa corre a médio prazo: “Se há solidariedade nas palavras mas depois nos actos há muta reserva mental aí vamos ter uma Europa que corre o risco de se fragmentar. Não há aqui ninguém dono da razão”.

Num registo mais pessoal, o líder social-democrata assumiu ter receio que a situação em Portugal “dispare” como Espanha e Itália, apesar dos dados não apontarem nesse sentido. Por outro lado, o economista mostrou estar preocupado com as medidas futuras que terão de se tomar a nível económico “para que isto corra bem e o sofrimento da sociedade portuguesa, que foi grande com a troika ainda há pouco tempo, não tenha que ser ainda maior”.