Vêm aí 34 milhões de euros da Europa para a ciência portuguesa

Os investigadores nacionais arrecadaram um total de 34 milhões de euros de financiamento europeu para executar os 22 projectos aprovados em dois concursos do programa Horizonte 2020.

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REUTERS/Axel Schmidt

A maior aposta encontra-se na área da saúde com alvos de estudo que vão desde novas terapias antivírica até ao envelhecimento. Depois segurem-se os projectos na área da engenharia, biotecnologia marinha, ambiente e inovação social. No total, as unidades de Investigação nacionais captaram mais 34 milhões de euros de financiamento europeu ao abrigo do programa Horizonte 2020.

A taxa de aprovação dos projectos portugueses nos concursos Twinning e ERA (European Research Area) Chair, que são promovidos no âmbito do programa Spreading Excellence and Widening Participation (Widening), foi de 32%, um valor superior à média da União Europeia que se fixou nos 18%.De acordo com um comunicado enviado pelo Agência Nacional de Inovação (ANI), a saúde e engenharia representam 77% dos novos projectos aprovados.

“Uma parte significativa dos projectos aprovados são da área da saúde, nomeadamente na investigação em novas terapias antivíricas e imunologia, doenças do cérebro e neurológicas e na saúde do envelhecimento”, adianta o comunicado. Na área da engenharia há novas ideias e planos no campo da segurança alimentar, biotecnologia alimentar, sistemas sustentáveis de energia, materiais sustentáveis e digital. “Existem ainda projectos financiados nas áreas da biotecnologia marinha, ambiente e inovação social.”

A ANI explica que as verbas serão usadas para “integrar as entidades nacionais em redes de colaboração internacionais de referência, com vista a desenvolver campos de investigação específicos, e para atrair e reter recursos humanos altamente qualificados”. Os centros de investigação viram aprovados 12 projectos e as entidades de ensino superior conseguiram dez propostas aprovadas, obtendo um total de financiamento de 18,7 milhões de euros e de 15,3 milhões de euros, respectivamente.

Em termos nacionais, o I3S (Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto) foi o centro de investigação a alcançar o maior financiamento. Um comunicado divulgado por este instituto refere que as suas equipas conquistaram um total de 8,5 milhões de euros, que dizem respeito a três ERA Chairs e uma bolsa Twinning. “As três ERA Chair aprovadas, no valor de quase 2,5 milhões de euros cada uma, pressupõem a constituição de três novas equipas de excelência nas áreas da imunologia, neurobiologia e bioengenharia molecular”. Sobre o projecto Twinning, no valor de 900 mil euros (para três anos), a nota da instituição adianta que “irá reforçar as competências do i3S na área de separação de fases de biomoléculas, aplicada ao estudo de doenças associadas ao envelhecimento”.

Citado neste documento, o director do i3S, Claudio Sunkel, defende que a aprovação inédita de tantas candidaturas europeias “mostra que somos competitivos a nível internacional” e permitirá “alavancar a qualidade científica do i3S, atraindo e mantendo recursos humanos altamente qualificados, e reforçar a nossa posição na vanguarda da investigação biomédica básica e de translação realizada a nível mundial”.

O projecto ImmunoHUB é apenas um dos três vencedores de uma ERA Chair no I3s e um dos nove aprovados a nível nacional de um total de 18 propostas portuguesas apresentadas. Os investigadores Nuno Alves e Margarida Saraiva, que lideraram a candidatura do ImmunoHUB é a criação de “uma plataforma de excelência na área da Imunologia” que tentará unir esforços de várias equipas a trabalhar no instituto em diversas frentes relacionadas com o sistema imunitário. “Uma ineficaz ou desregulada resposta imunitária estar frequentemente associada ao aparecimento de doenças infecciosas, auto-imunidade, cancro e doenças degenerativas”, nota o comunicado, sublinhado que essas patologias são estudadas ao nível celular e molecular nos três institutos que integram o i3S.

A nível europeu foram apresentadas 114 candidaturas para um total de 20 projectos financiados com um total de 50 milhões de euros. No que se refere ao concurso Twinning foram apresentadas 437 propostas e 51 eram portuguesas. Entre as 77 vencedoras (que representam um financiamento de 69 milhões de euros) encontravam-se 13 projectos portugueses que ficam com 12 milhões de euros.

Num resumido balanço, a Agência Nacional de Inovação sublinha que o Norte foi a região do país a obter mais financiamento (conseguindo um total de 13,5 milhões de euros) e a região de Lisboa e Vale do Tejo foi a que conseguiu mais projectos aprovados (um total de nove). “No Alentejo o projecto “Waste to Hydrogen”, do Instituto Politécnico de Portalegre, recebeu um financiamento de quase 900 mil euros”, adiantam.

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