Comboios suburbanos de Sintra e Azambuja continuam cheios nas horas de ponta

Apesar de ter reforçado a oferta nos períodos de maior procura, CP não evita congestionamento no período da manhã. Ausência de revisão leva “borlistas” a desrespeitar quarentena e a aproveitar para viajar de comboio.

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daniel rocha

Quem tem de chegar a horas ao emprego não pode dar-se ao luxo de esperar pelo comboio seguinte se o seu vier cheio. Como há muito gente a entrar à mesma hora, as composições das linhas de Sintra e Azambuja circulam congestionadas durante um curto período da manhã. Um fenómeno que se repete com menos intensidade na hora de ponta da tarde porque o regresso a casa é mais espaçado no tempo.

Depois de ter reduzido a oferta nos suburbanos de Lisboa e Porto, a CP voltou a reforçar o número de comboios nas horas de ponta para poder responder a esses picos de procura, mas não tem conseguido evitar momentos de congestionamento porque muitas empresas têm horários de entrada à mesma hora. Uma situação que exigiria que alguns empregadores flexibilizassem a entrada ao serviço dos seus trabalhadores.

Fonte oficial da empresa reconhece o problema e diz que “a CP mantém a monitorização permanente da evolução da procura destes comboios para avaliação contínua da necessidade de proceder a eventuais ajustamentos”. E sublinha que estão a ser efectuados mais de 75% dos comboios de oferta regular com maior concentração nas horas de ponta, em especial “os comboios críticos das ligações Sintra – Alverca e Sintra – Oriente”.

A exemplo do Metro de Lisboa, a CP abriu nesta quarta-feira os pórticos de acesso (gates) às estações para que as pessoas circulem livremente sem terem contacto com aqueles equipamentos quando validam o título de transporte.

Por outro lado, já desde a semana passada que os revisores dos comboios deixaram de fiscalizar os passageiros, limitando-se a acompanhar o comboio de acordo com a regulamentação ferroviária que, por motivos de segurança, exige a presença de um segundo tripulante para além do maquinista.

Na prática, as pessoas ficaram a saber que podem viajar gratuitamente o que atraiu aos comboios passageiros sem bilhete que aproveitam para passear. Luís Bravo, do Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante, diz que tem relatos de colegas que constatam serem grupos de idosos ou grupos de jovens que circulam nos comboios simplesmente para usufruir de viagens de à borla. Uma informação que foi confirmada ao PÚBLICO por uma outra fonte da empresa.

“Receio que isso se agrave agora com a abertura das gates, mas também é verdade que os pórticos em metal em que toda a gente tocava podiam ser um foco de contágio”, disse ao PÚBLICO.

Luís Bravo diz que se registou um primeiro caso, no Porto, de um revisor infectado com Covid19.

Fertagus cumpre os 33%

A Fertagus assegura que “em momento algum é ultrapassada a capacidade máxima de 33% na lotação das viagens realizadas, antes pelo contrário estando a lotação, mesmo às horas de ponta, abaixo deste nível máximo”.

Fonte oficial da empresa disse ao PÚBLICO que a empresa registou quebras de 85% na procura, mas que o número de comboios efectuados só se reduziu em cerca de 30%. Já o número de lugares sentados só teve uma redução de 20% porque a empresa passou a operar nos períodos de ponta com comboios duplos (duas composições acopladas) com capacidade para 2420 pessoas.

A empresa tem pedido aos passageiros para evitar concentrarem-se nas mesmas carruagens, devendo distribuir-se ao longo de toda a composição.

CP e Fertagus têm procedido diariamente à desinfecção de todos os seus comboios.

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